Sem apoio, promessa do Brasil opta pela Suécia

Christian Lindell, nascido no Rio há 18 anos, foi acolhido na Europa, depois de ter recebido pouco incentivo no País

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2010 | 00h00

Uma das principais revelações do tênis sueco fala português - e ainda tem sotaque carioca. Christian Lindell, de 18 anos, alcançou ontem as quartas de final do Challenger de São Paulo, seu melhor resultado na temporada. Embora tenha nascido no Rio, o tenista foi seduzido por uma estrutura invejável na terra dos vikings, onde passa cerca de cinco meses por ano desde 2007.

"Sueco eu falo muito pouco. Entendo bastante e me viro. Mas nasci no Rio, moro no Rio e me sinto brasileiro", explica o jovem tenista, filho de um sueco que deixou o frio nórdico há cerca de 20 anos e constituiu família no calor. Só que o país que escolheu não atendeu o filho com o cuidado dispensado por seus ancestrais.

A tradicional federação sueca, atenta às promessas, convidou Lindell para treinar por lá quando ele venceu um torneio local três anos atrás. O carioca, que não recebia apoio nenhum - e ainda não recebe - da Confederação Brasileira de Tênis, passou a ser orientado por Thomas Enqvist (ex-número 4 do mundo), Magnus Norman (ex-número 2 e grande rival de Gustavo Kuerten) e treinar com Robin Soderling (5.º do mundo). Não resistiu: adotou as cores da Suécia.

"Fui passar férias lá e acabei ganhando um torneio, uma espécie de Brasileirão. Os caras me convidaram para ficar. Como eu não tinha nada muito bom aqui no Brasil, aceitei", conta o jovem, 445.º do mundo. "Lá tenho centros de treinamento à disposição, técnico para viajar comigo, casa. É uma opção melhor."

Melhor, mas que não evita alguns sacrifícios. Quando Lindell está na Suécia, fica só, longe da família, sem amigos. Sua rotina se resume a treinar e dormir, além de competir. "É difícil, estou sempre sozinho, faz muito frio. Mas está valendo à pena."

A vitória ontem sobre o brasileiro Thiago Alves, número 149 do ranking mundial (6/3 e 6/4), fez Lindell fechar todas as suas metas para a temporada. "O objetivo era terminar o ano no top 500, ganhar um título de Future (torneios menores que Challengers) e passar pela primeira rodada de um Challenger", explica o sueco. "Tinha um objetivo bem ousado que era chegar às quartas de um Challenger. Conquistei todos, ganhei o ano."

Os bons resultados podem colocá-lo entre os 400 melhores do mundo e tornar mais frequentes suas convocações para compor a equipe da Suécia na Copa Davis - Lindell já participou do time algumas vezes. Se o tenista disputar um jogo da competição com os suecos, só poderia defender as cores do Brasil na Davis depois de dois anos. Lindell nem quer pensar nisso agora.

"Acho que ainda está longe de eu jogar pela Suécia na Copa Davis. No circuito, posso mudar minha cidadania bem facilmente. Por enquanto, jogo como sueco, mas não é uma coisa irreversível", garante o jovem tenista, que espera conquistar outros resultados antes de ter de resolver a questão. "Sou brasileiro, sinto muita vontade de jogar pelo Brasil, mas não posso agora fechar as portas ao apoio dos suecos."

QUEM É ELE

Nome: Christian Lindell

Nascimento: 20/11/1991

(18 anos), no Rio

Altura: 1,94 m (82 kg)

Empunhadura: destro

Ranking: 445º

Melhores resultados: Campeão do Future de Fernandópolis (SP) e quartas de final do Challenger de São Paulo.

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