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Antero Greco
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Sem deixar lembrança

Frase que não pode faltar ao repertório de lugares-comuns de jogador que acaba de se apresentar no novo emprego é a clássica "Pretendo fazer história no clube". Infalível, parece aquela antiga propaganda do sabonete usado "por nove entre dez estrelas do cinema". A maioria se escora nessa promessa como profissão de fé de que não foi contratada para encher linguiça nem para engordar o elenco.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h11

Há, de fato, os que têm passagem marcante e se tornam ídolos. Incontáveis, no entanto, os que vêm, veem e não vencem. Pouco importa se ficam meses ou apenas semanas nos times. A presença deles mal é notada por torcedores, pois nem esquentam banco. Ou, nas raras vezes em que entram em campo, não acrescentam coisa alguma. Não há uma equipe que possa gabar-se de jamais de ter dado furo n'água em aposta num reforço (palavrinha gasta) - seja um jovem candidato a astro ou veterano que já rodou o mundo e tem nome de peso.

Lembra do Rei Reinaldo, centroavante de enorme talento revelado pelo Atlético-MG? No meio da década de 80, desembarcou no Palestra Itália com a missão de honrar a 9 e encher os adversários de gols. Salvo engano, não disputou nem dez partidas, antes de pegar o boné sem ter levantado o braço com o punho fechado uma vez sequer, marca registrada nas comemorações dele. O mesmo Palmeiras daquela época de seca apelou para Bizu, artilheiro de Norte a Sul do Brasil. Com a camisa verde, fez 4 gols em 30 jogos, foi embora como veio: sem alarde. E o Corinthians, nos anos 60 do século 20, abrigou o excepcional Mané Garrincha, numa aventura relâmpago de uma dúzia de partidas e raros gols. Uma pena.

A conversa, só com exemplos de outrora, preencheria o espaço desta crônica até a Copa. Mas os erros continuam a ser cometidos com generosidade espantosa nos dias que correm - e queimam uma nota alta das agremiações. Prova atual? Marcos Assunção no Santos. O veterano meio-campista sobressaiu no Palmeiras, apesar da campanha do rebaixamento em 2012, e arregalou os olhos com proposta de retornar à Vila, porto seguro para pendurar as chuteiras em grande estilo. Fiasco bem pago, de baixo aproveitamento, com lugar garantido em lista de dispensa. Mesmo destino deve ter Renato Abreu - sim, sim, está no Santos, não sabia?! Desde agosto. Nem se nota.

Adriano, o que um dia acreditou na conversa de que era imperador, teve a proeza de engambelar Roma, Corinthians e Flamengo na sequência entre 2010 e 2012. Está aposentado, mas vira e mexe desponta o boato de que há "diversos interessados" em contratá-lo. Até acredito. E o Negueba no São Paulo? Deve ter ficado um mês, se tanto, no Morumbi. Vapt-vupt, foi-se! E Carlos Alberto no tricolor? Lenny, no Palmeiras? Dizem algo pra você? Puxe pela memória o que fizeram de bom.

Se vasculhar arquivos e fichas técnicas de jogos de seu time, vai soltar um monte de vezes exclamação do tipo "Caramba, esse cara jogou aqui?!". É possível argumentar, sem trocadilho, que faz parte do jogo investir e nem sempre ter retorno. Como na Bolsa de Valores. Verdade. Inegável, também, que prejuízos e vexames seriam evitados se houvesse seriedade, profissionalismo, transparência no momento de fechar negócio. O tal do planejamento.

Gangorra. Por falar em projetos, o São Paulo prossegue hoje o caminho da salvação, em mais um duelo decisivo para manter-se na Série A. O desafio com o Bahia, em Salvador, vale primeiro para distanciar-se da zona de perigo - contra um adversário que pode ser empurrado para baixo (são 37 pontos contra 36). Depois, bem depois e na eventualidade de vitória, não será pecado retomar o sonho de Libertadores. Que não se mostra impossível, num campeonato tão doido que certo mesmo só o título que o Cruzeiro festejará dentro em breve. E, se tiver um pênalti, nunca se sabe, sou a favor de que Rogério Ceni se apresente e bata. Com o auxílio do Senhor do Bonfim.

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