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Antero Greco
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Sem desculpas

Veio o Paulista, e o Corinthians caiu diante do Palmeiras, nas semifinais, nos pênaltis, em casa. Sem problemas, bradaram muitos; pode concentrar-se melhor na campanha na Taça Libertadores. Daí, na competição sul-americana foi eliminado pelo Guaraní paraguaio, em Itaquera, nas oitavas de final. Sem crise, foi a alegação; há a Copa do Brasil para voltar ao torneio continental em 2016. Então, tromba com o Santos, nas oitavas de final e cai fora, com derrotas na Vila Belmiro e no próprio estádio. Ótimo, pondera a turma de bombeiros; dessa maneira, tem calendário mais suave para arrasar no Brasileiro.

ANTERO GRECO, O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2015 | 03h04

Ou seja, o Corinthians falhou em três das quatro tentativas de conquistas em 2015, e para todas encontraram-se atenuantes e pontos positivos. (E, por extensão, nada de Mundial de Clubes ou de Supercopa Sul-Americana.) O que significaria crise para outras equipes, para a turma alvinegra não passou de infeliz acaso. No máximo, se falou de leve em insucessos. Só se tocou de raspão no fato de que objetivos não foram alcançados. Restou, sempre, a sensação de que, ao fim e ao cabo, houve desdém para as copas inalcançáveis como se fossem uvas verdes. Isso, isso, a manjada fábula da raposa que a gente ouve desde criança.

Agora, não há mais no que se apegar como justificativas para eventual e derradeiro fiasco. Sobrou para Tite e rapazes o desafio de levantar o título nacional da Série A pela sexta vez – e o que será proeza e tanto, se vier. Louvável e digna de festa. Não se trata de coisa à toa, bobagem de segundo escalão. 

Para quem esteve em evidência em todos os escalões, nas últimas temporadas, ganhar a Série A se tornou quase obrigação e opção única para evitar que a temporada passe em branco. O lado bom da história é que o Corinthians depende de si para brilhar. Como está na liderança, com 4 pontos de vantagem sobre o Atlético-MG, não corre risco de atropelo, já que não lidará com o fantasma do mata-mata. 

No papel parece tarefa simples; na prática, a conversa muda. Nem por isso, cabem desculpas por antecipação. O elenco sofreu baixas importantes, mas Tite conseguiu recompô-lo, recuperou o equilíbrio e a eficiência. O teste nas 18 rodadas que faltam vai para a capacidade de resistência do grupo. O treinador não conta com gente demais para mudanças radicais no sistema; precisará usar de inteligência e senso de oportunidade para tirar o máximo dos que estão disponíveis. 

A ocasião para passar recado aos concorrentes está marcada para a tarde de hoje, na Arena Condá, no jogo com a Chapecoense. A equipe catarinense passeia pela zona intermediária da tabela (28 pontos) e, por enquanto, ostenta retrospecto temível como mandante, com 7 vitórias, 2 empates e uma derrota. De fazer medo a todo tipo de desafiante, incluído o líder. 

Justamente por ocupar o topo da classificação, cabe ao Corinthians neutralizar qualquer veleidade da Chapecoense e impor-se. Se não com estratégia agressiva – e não tem sido característica como visitante –, no mínimo com segurança. Empate pode ser bem-vindo; vitória significará carimbo de favorito ao título. Derrota não equivale a tragédia; porém, lançará dúvidas em torno da capacidade de aguentar o tranco até o fim.

Sem alternativas. O Palmeiras anda por um fio na corrida (por ora improvável) pela hegemonia no Brasileiro, obtida pela última vez em 1994, quando o Plano Real engatinhava. Com 21 pontos atrás do Corinthians, tem de desdobrar-se e torcer por muitas combinações agradáveis para ver o sonho realizado. Em uma frase: tem obrigação de bater o Joinville na Allianz Arena. Sem meio-termo nem papo furado. E com um procedimento: atacar, do apito inicial ao pontapé final. 

Sem clemência. O Santos reage forte na elite, avançou na Copa do Brasil e, se quiser manter-se na trilha certa, há uma escolha: tirar proveito da crise do Cruzeiro. Há como.

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