Sem dormir, Romário é solto após 22 horas

Depois de uma noite preso numa sala da 16.ª DP do Rio, astro paga pensão alimentícia dos filhos Romarinho e Moniquinha e volta para casa

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2009 | 00h00

Romário sempre teve regalias nos clubes do Rio. Fazia quase tudo o que queria no Vasco, Flamengo, Fluminense. Ontem, porém, voltou a ser igual aos outros, pelo menos perante a lei. Não recebeu tratamento diferenciado na 16ª Delegacia Policial do Rio, para onde foi levado na tarde de terça-feira após ser detido por não pagar pensão alimentícia dos filhos mais velhos. O ex-jogador passou 22 horas na delegacia e foi solto à tarde, depois de pagar dois meses de pensão dos filhos Romarinho, de 15 anos, e Moniquinha, 19. Depositou R$ 89.641,44 na conta da ex-mulher Mônica Santoro que abriu processo contra ele em maio. Romário não esquecerá mais a madrugada de ontem. Ficou numa minúscula sala trancada e sem grade - com outros dois detidos pelo mesmo problema. O campeão mundial de 1994 teria deitado no chão, em cima de um pano, para descansar. Mas não conseguiu dormir. Na noite de terça, um amigo do craque, conhecido como Pica-Pau, levou uma costela, mas foi barrado na porta da 16ª DP. O ex-jogador ficou irritado com a proibição, contou o delegado titular Carlos Augusto Nogueira.Pela manhã, Romário comeu pão doce, oferecido pelo amigo Batata. "Ele não teve regalia. Estava cansado e debilitado", disse o delegado, explicando que Romário não foi para a cela, porque as duas existentes na 16ª DP estavam ocupadas por assaltantes e mulheres. O astro só deixou a delegacia às 15 horas e esboçou sorriso na saída. Foi direto para o fórum da Barra e participou de audiência com o juiz Antônio Aurélio Duarte, da 2ª Vara de Família. Conseguiu o alvará de soltura ao comprovar o acerto do pagamento da pensão. Foi embora sem dar entrevista. Romário estaria com problemas financeiros por causa de uma decisão da Justiça, que o condenou a pagar R$ 5,5 milhões a um casal de vizinhos no luxuoso condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca. O ex-jogador, cujo imóvel de R$ 9 milhões deve ir a leilão, fez obras em sua cobertura que danificaram o apartamento de baixo. Antes de abrir processo na Justiça contra Romário, Mônica Santoro tentou penhorar seus bens. "Mas não conseguimos detectar um bem livre e desembaraçado", disse o advogado de Mônica, Sérgio Fisher.

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