Sem fazer força, Barça dá seu 1º show no Japão

Com apenas cinco titulares, time goleia o Al-Sadd por 4 a 0 e chega à final da competição em ritmo de treino

LUÍS AUGUSTO MONACO, YOKOHAMA / ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h06

O Barcelona deu ontem a enésima demonstração de que não precisa entrar em campo com a força máxima para ser fiel ao seu estilo que embriaga o adversário. Ontem apenas cinco titulares (Valdés, Puyol, Abidal, Messi e Pedro) começaram jogando contra o assustado Al-Sadd, e o cenário foi o de sempre: bola para cá, bola para lá, passes que rasgam a defesa e gol. Sem forçar o time chegou aos 4 a 0, resultado que o técnico Jorge Fossatti disse que merece ser festejado no Catar.

Guardiola mais uma vez apostou no esquema que tem usado com frequência na temporada: uma linha de três defensores velozes (Puyol, Mascherano e Abidal), quatro na organização das jogadas (Thiago, Keita, Messi e Iniesta) e três na frente (Adriano e Pedro abertos e Villa no meio). Não deixou o Al-Sadd sair de seu campo - exceto em dois contra-ataques no fim do primeiro tempo que não deram em nada -, recuperou a bola sempre com rapidez e teve a habitual paciência para trocar passes até encontrar espaço para finalizar. Em 90 minutos, Valdés não fez uma defesa - o único chute do time do Catar foi por cima do gol. O jogo foi tão fácil que Messi não precisou usar nem metade do seu repertório. O argentino esteve perto de marcar duas vezes, mas o seu melhor momento foi o passe entre os zagueiros que deu para Keita entrar livre e fazer o terceiro gol.

Antes disso o Al-Sadd tinha dado dois presentes para Adriano. No primeiro o lateral Belhadj e o goleiro Saqr se atrapalharam e deixaram a bola limpa para ele fazer - foi o lance que decidiu o jogo, porque o time do Catar não tinha qualidade nem coragem para sonhar em marcar um gol no Barça. E no segundo Saqr foi com a mão mole na bola e não parou um chute defensável.

O DNA do Barcelona, para usar uma expressão cara ao presidente santista Luis Alvaro, voltou a se manifestar no quarto gol. Thiago percebeu a projeção de Maxwell (que tinha entrado em lugar de Abidal) e o deixou sem marcação para bater entre o goleiro e a trave.

Qualidade de sobra. Os santistas que foram ao estádio viram de perto como é fácil controlar o jogo quando um time de qualidade técnica joga de maneira compacta. E domingo a qualidade vai ser ainda maior, porque os titulares Xavi, Fábregas, Busquets, Piqué e Daniel Alves estarão em campo com o fôlego renovado.

O domínio do time misto do Barça sobre o Al Sadd foi acachapante. Tão logo o árbitro Joel Aguilar, de El Salvador, deu o apito final, a Fifa despejou no seu site oficial as estatísticas do jogo - números impressionantes e incontestáveis.

O Barcelona teve 72% de posse de bola contra 28% do time do Catar. Os jogadores de Pepe Guardiola deram 19 chutes a gol contra apenas 2 do adversário. Conseguiram 7 escanteios contra nenhum do Al Sadd. Cometeram 12 faltas e sofreram 16.

Muricy deve ter anotado esses números para usar na sua estratégia no jogo de domingo.

Gols: Adriano aos 24 e aos 43 minutos do primeiro tempo; Keita aos 18 e Maxwell aos 35 do segundo.

BARCELONA (4-3-3): Valdés; Adriano, Puyol, Mascherano e Abidal (Maxwell); Keita, Thiago Alcântara e Iniesta; Pedro, Messi e Villa (Alexis Sánchez) (Cuenca).

Técnico: Josep Guardiola.

AL-SADD (4-4-2): Mohamed Saqr; Ibrahim Addulmajed, Abdulla Koni, Lee Jung e Nadir Belhadj; Talal Al Bloushi (Mohammed Al Yazidi), Ibrahim Khalfan, Wesam Abdulmajed e Mohammed Kasola; Mamadou Niang (Yusef Ali) e Kader Keita (Hasan Al Haydos). Técnico: Jorge Fossati.

Juiz: Joel Aguilar (El Salvador)

Cartões amarelos: Ibrahim Addulmajed e Mohammed Kasola (Al Sadd).

Público: 66.298 pagantes.

Local: Estádio Internacional de Yokohama

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