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Sem medalha, vôlei feminino faz balanço

Qual será o futuro da seleção brasileira feminina de vôlei? Após a frustrante perda da medalha olímpica em Atenas ? que podia muito bem ser a de ouro ?, algumas jogadoras devem deixar o grupo, entre elas Fernanda Venturini (33 anos), Virna (34), Arlene (34) e Fofão (34). Até o técnico José Roberto Guimarães já declarou que precisa pensar se fica para o próximo ciclo olímpico. Zé Roberto, Fernanda Venturini, e as jogadoras ?rebeladas?, que haviam pedido dispensa na época do técnico Marco Aurélio Motta, voltaram a vestir a camisa da seleção por causa da grande chance que tinham de ganhar o ouro olímpico. ?Vou deixar a poeira baixar, avaliar, ver com a minha família. Depois de uma ducha de água fria como essa...?, comentou Zé Roberto. ?No masculino, tranqüilamente, temos mais 10, 15 anos de vôlei, mas no feminino tem de haver mudanças. O bom é que a seleção infanto é mais alta que a juvenil que é mais alta que a adulta.? Como revelação entre as levantadoras, uma posição de difícil reposição, Zé Roberto citou Danielle, que passou por nova bateria de exames de coração (arritmia cardíaca) e está bem. Para ele, a falta de levantadoras é um problema grave em todo o mundo e, por isso, defende uma mudança na formação nas categorias de base. ?Até o infanto o jogo tem de ser 4 x 2 (quatro atacantes e duas levantadoras; como Cuba joga até hoje no adulto) e não 5 x 1. Assim, formaríamos mais levantadoras. Falta os clubes que trabalham com base se conscientizarem disso.? Ex-jogadoras, como Ana Moser, também estão preocupadas com o futuro. ?O vôlei feminino precisava muito da medalha. A seleção perdeu para ela mesma, mas o feminino não pode voltar às traças. Ficar como ficou depois da saída do Bernardinho e com aquele técnico que colocaram?, diz, referindo-se a Marco Aurélio, que brigou com as jogadoras e teve de engolir o pedido de dispensa do grupo todo. Érika, Elisângela, Fofão, Raquel, Virna e Walewska só voltaram à seleção após a troca do treinador. Sassá, Fabiana e Valeskinha, apostas de Motta, continuaram na seleção com Zé Roberto, que trouxe ainda Bia, Mari (a grande aposta) e Fernanda Venturini. ?O que fizeram com aquelas jogadoras foi um absurdo. Só jogavam em clube e tinham mais de três meses de férias. Jogadora de alto nível, de seleção, não pode ficar tanto tempo sem treinar. Ficaram fora de forma e com baixa estima. Alguém tem de tomar conta disso, com carinho e competência?, continua Ana Moser, que não tem interesse, pelo menos por enquanto, em ser treinadora. Virada - Depois de uma fase brilhante com Bernardinho, em que conquistou dois bronzes olímpicos ? em Atlanta/96 e em Sydney/2000 ? a seleção feminina atravessou três anos de resultados ruins e a Olimpíada de Atenas poderia marcar a virada definitiva. Com Marco Aurélio, o Brasil foi quarto no Grand Prix de 2001 e 2002, sétimo no GP de 2003, quarto no Mundial de 2002, quinto na BCV Cup de 2002 e terceiro na BCV de 2003. Zé Roberto teve pouco mais de um ano de treinos com o grupo que foi a Atenas. Depois do vice-campeonato da Copa do Mundo de 2003 e do ouro no último Grand Prix, a seleção brasileira feminina voltava a se destacar. Com Bernardinho ou com Zé Roberto, por que a seleção feminina nunca chegou a uma final olímpica? ?Que difícil...?, diz Ana Moser. ?Em Barcelona e em Atlanta não chegamos à final porque Cuba era melhor e nos eliminou na semifinal. Regla Torres, Mireya Luiz e as cubanas eram mais fortes fisicamente. Em Atenas, perdemos a grande chance. Nossa seleção melhorou fisicamente e as outras seleções não são tão boas assim?, avalia a ex-jogadora, para quem o feminino está sempre em segundo plano na Confederação Brasileira de Vôlei.

Agencia Estado,

31 Agosto 2004 | 09h17

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