Sem opção, Juvenal mantém técnico

Após falar em buscar treinador em outros clubes, presidente muda de ideia e força trégua entre Rivaldo e Carpegiani

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2011 | 00h00

O São Paulo passou por cima de suas contradições para seguir com Paulo César Carpegiani e superar a crise causada pela queda no Paulista e na Copa do Brasil. Ontem, Juvenal Juvêncio confirmou ao técnico que ele seguirá no comando, apesar do clima desfavorável na diretoria, no elenco e junto à torcida.

O presidente reuniu Carpegiani e Rivaldo para exigir uma trégua, após a troca de farpas depois da desclassificação em Florianópolis. Em entrevista coletiva poucos depois, jogador e técnico tiveram de se desdobrar para justificar a inesperada decisão do presidente - que foi motivada pela falta de opções no mercado.

Sem representantes da diretoria no CT para falar sobre a permanência dos dois, Carpegiani e Rivaldo foram contraditórios. O treinador garantiu que tem o grupo na mão, apesar de ter seu trabalho bastante questionado. Já o meia de 39 anos afirmou que não quer privilégios, mas voltou a dizer que estava certo ao cobrar publicamente uma vaga na equipe.

Desculpas. A decisão de Juvenal de voltar atrás e manter Carpegiani causou surpresa - o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva havia reconhecido após a derrota para o Avaí (3 a 1) que a falta de clima deveria incorrer na troca de técnico. Carpegiani, porém, afirmou que os boatos de sua saída só foram fortalecidos pelo fato de ele não ter voltado a São Paulo na sexta-feira, com a delegação.

"Em momento algum projetei que estava fora do clube. Tive problemas a resolver em Camboriú (SC) e, infelizmente, não acompanhei o grupo na volta. Isto gerou toda esta expetativa", afirmou o técnico, que negou ter perdido o respaldo da diretoria. "Não me senti desamparado."

Vaiado no Morumbi, Carpegiani nega que haja problemas também no vestiário. "Sei que tenho o grupo sob controle, não tenho dúvida nenhuma disso. Esta crise foi a primeira em 7 meses." Ele reconheceu, porém, que não foi só Rivaldo que questionou seu trabalho. Inconformado com a condição de reserva de Juan, Júnior César está de saída. "Ele se comportou de maneira não profissional num treinamento. Pode estar saindo", disse o técnico, sem entrar em detalhes sobre a atitude do atleta.

Na conversa a portas fechadas, Carpegiani chegou a pedir desculpas a Rivaldo, mesmo após ser alvo das fortes declarações do meia. "Não tenho o direito de duvidar do caráter de ninguém, talvez tenha me excedido neste aspecto. Foi um erro meu e já pedi desculpas ao Rivaldo", disse o técnico, que minimizou as críticas. "Não vejo erro nas declarações do Rivaldo. Disse isso a ele próprio e ao presidente."

O técnico garante que tem planos para escalá-lo. "Contra o Santa Cruz, botei o Rivaldo e não tivemos boa apresentação. Ele sabe que quando tiver todos os jogadores em condição poderei usá-lo, para que possa render tudo o que se espera dele."

Sem arrependimento. Rivaldo não mudou uma vírgula do que havia dito em Florianópolis e apenas ensaiou pedido de desculpas. "Não tenho que me arrepender de nada. Se magoei alguém peço desculpas, mas tudo o que disse foi bem pensado. Não quis desmerecer o treinador", afirmou o meia, que contesta até a possível multa de R$ 10 mil (10 % do salário). "Não concordo, praticamente não fiz nada. Mas já passou, temos um Brasileiro pela frente e vamos estar juntos."

Para a estreia contra o Flu, no Rio, Miranda deve seguir fora por conta de lesão no tornozelo.

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