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Antero Greco
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Sem palavras

Tite é bom de conversa, em geral acerta o ritmo nas entrevistas, faz pausas dramáticas, modula bem a voz, comporta-se como bom palestrante ou pregador tarimbado. Um tremendo bico doce, como se dizia no Bom Retiro. Mas, depois da sova que o Corinthians levou da Portuguesa na tarde de ontem em Campo Grande, ficou sem palavras, não encontrou explicação para os 4 a 0 fora o baile. Por isso, não apareceu para dar explicações e recolheu-se ao silêncio, a ruminar outro tropeço - cinco derrotas e três empates nos últimos oito jogos, 10 gols contra e um a favor.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h04

Retrospecto horroroso para qualquer equipe, um desastre para quem menos de dez meses atrás dava a volta olímpica no Japão com o título mundial conquistado sobre o Chelsea. Nem haveria mesmo o que dizer, exceto admitir que o time proporcionou um espetáculo grotesco, jogou menos bola do que turma de perna de pau de fim de semana depois de churrasco. Mereceu levar a tamancada sem dó.

Os corintianos não viram a cor do esférico na primeira parte do clássico, sim senhor! A turma lusa teve o controle total, regalou-se com a desarrumação do adversário, fez o que quis, e quando quis, e se deu o luxo de tirar o pé do acelerador para não se desgastar demais, já com os três gols de Gilberto. Além disso, como não anda acostumada a aplicar surras, ainda mais em peixe graúdo, preferiu não abusar da sorte.

Sarcasmo à parte, o resultado não se deve a obra do acaso; veio por méritos da rapaziada orientada por Guto Ferreira e por destrambelho do Corinthians. Embora não tenha sequer uma estrela, a Lusa compensa com solidariedade, aplicação, suor. Essas definições soam como lugares-comuns, fáceis de aplicar diante de placar tão incontestável. Mas sintetizam o momento que ela atravessa. Ainda na semana passada, escrevia aqui que se tratava do clube paulista com campanha mais digna neste trecho do campeonato.

Não mudo uma vírgula em relação àquele comentário e, de quebra, acrescento alguns elogios. Pessoal, a Lusa entrava na lista de favoritos ao rebaixamento até cinco rodadas atrás, não é verdade? Renasceu, como se viu na polêmica derrota por 3 a 2 para o Grêmio. E só tem feito subir. Campanha de recuperação e de quem se considerará vitoriosa se permanecer de novo na elite.

O Corinthians, ao contrário, anda numa pindaíba que havia muito não conhecia. Uma penúria criativa de dar dó - ou raiva, depende do humor do cidadão. A autoconfiança, marca registrada em campanhas gloriosas, se desmilinguiu. A eficiência para construir situações favoráveis virou fumaça, o fôlego acaba logo, como o dos antigos balões chinesinhos, que a gente acendia aqui, subiam um pouco, e se estatelavam 50 metros adiante, ali na esquina. Até a pontaria sumiu, como se viu na cobrança de pênalti de Guerrero.

Tite apelou, antes do intervalo, ao colocar Danilo no lugar de Ibson. Aliás, o que Ibson veio fazer no Corinthians? Na volta para o segundo tempo, estavam Pato e Jocinei nas vagas de Paulo André e Igor. Na base do bumba meu boi e do seja o que Deus quiser, pressionou, foi pra cima da Lusa, criou algumas oportunidades, desperdiçadas por impedimentos.

A coisa ficou tão esquisita que Ralf virou zagueiro (sobrecarregado, em seguida, com a expulsão de Gil), Douglas e Danilo se desdobravam na marcação, Pato corria pra todo lado, Romarinho e Emerson eram figuras decorativas. E a Lusa? Ora, só observou e teve o desplante de aproveitar-se de contra-ataque para o golpe de misericórdia, com Wanderson. A casa lusa se reconstrói e a alvinegra está a balançar...

O fantasma voltou... O São Paulo imaginou-se na Libertadores, com três vitórias na chegada de Muricy. Com derrotas para Goiás e Grêmio, ambas por 1 a 0, emperrou em 27 pontos e enfrenta de novo o temor da Série B. O consolo está no bom desempenho contra os gaúchos, ontem. A prova? Dida foi o melhor em campo. Conforta, mas nem tanto.

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