Ricardo Bufolin/Divulgação
Ricardo Bufolin/Divulgação

Sem renovação, equipe feminina terá apenas duas atletas no Mundial de Ginástica

Daniele Hypolito, de 29 anos, e a estreante Letícia Costa são as únicas representantes do País no torneio da Antuérpia, que começa na segunda-feira

Amanda Romanelli e Demétrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2013 | 08h18

SÃO PAULO - Há três meses, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve procurava ginastas dispostas a mudar de modalidade para competir no ski aerials, que une o salto com esqui e acrobacias. Encontrou duas, entre elas Laís Souza. Agora, quem sente falta de atletas é a ginástica artística. No Mundial que começa na segunda-feira, na Bélgica, o Brasil terá apenas duas. O sintoma é claro: faltam ginastas.

 

A única brasileira de renome no torneio da Antuérpia é Daniele Hypolito. Aos 29 anos, a vice-campeã do solo no distante Mundial de 2001 é a terceira mais velha dentre as 141 ginastas de 58 países na competição. Além dela, foi convocada Letícia Costa, de 18 anos, que estreia em grandes competições sem nenhuma expectativa.

 

"A Letícia não tem chance de chegar a uma final", adverte Georgette Vidor, coordenadora da equipe feminina. "Ela machucou o pé seriamente, ficou um ano e pouco se recuperando. Agora ela vai ter que treinar." A ideia era Letícia só competir no solo e no salto, mas ela fará o individual geral porque Daniele torceu o tornozelo treinando e participará apenas na trave e nas paralelas, que exigem menos do local lesionado.

 

Única esperança de medalha para a equipe feminina, Jade Barbosa foi convocada apesar de uma lesão no tornozelo direito, não se recuperou, e acabou cortada. Competir com duas atletas, apenas por competir, é uma situação inimaginável para uma modalidade que, em seis dos últimos 12 anos, teve a principal atleta olímpica do País, com quatro nomes diferentes: Daniele, Daiane dos Santos, Jade e Laís. Mas a ginástica feminina falhou no processo de renovação depois disso.

Das poucas boas atletas formadas visando os Jogos de Londres, só Harumy Freitas (de 18 anos, machucada) e Letícia seguem competindo. Bruna Leal e Priscila Cobello preferiram se aposentar a passar meses, senão anos, se recuperando de cirurgias. Da geração anterior, formada para Pequim-2008, só Adrian Gomes, de 23 anos, ainda tem a confiança da comissão técnica. Mas a gaúcha operou o ombro em setembro e se juntou a Ana Cláudia Silva e Ethiene Medeiros no estaleiro.

 

A falta de renovação e o excesso de lesões deixou o Brasil sem opções. "Não temos muitas ginastas, mas as que temos, são muito boas", opina Georgette. A responsabilidade recai sobre os 46kg de Rebecca Andrade, de 14 anos, e os 32kg de Flávia Saraiva, que amanhã completa 14.

 

O desempenho de Rebecca nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, semana passada, em Lima (Peru) provam isso. Suas notas a deixaram no quinto lugar na etapa de Tóquio da Copa do Mundo de Ginástica Artística, a única realizada este ano no individual geral. Mais: lhe dariam o ouro no geral e no salto no Pan de Guadalajara, em 2011, competição em que o Brasil só ganhou dois bronzes.

 

Nascida em 1999, Rebecca, assim como Flávia, só poderá participar de competições entre adultas em 2015, ano em que o Mundial de Glasgow (Escócia) servirá como seletiva olímpica. Um ano antes, em Nanning (China), o Brasil precisa ficar entre os 24 primeiros por equipes para se garantir no Mundial seguinte.

 

Para tanto, pretende contar com as estreias de Mariana Oliveira e Lorrane Oliveira, que são de 1998 e foram, respectivamente, terceira e quarta colocadas no juvenil no último Brasileiro, com notas melhores que de Letícia Costa fez no adulto.

 

É nessas quatro garotas, nas duas ginastas que vão ao Mundial e nas machucadas Harumy e Adrian que a ginástica brasileira confia. "Temos oito boas ginastas hoje. Um grupo bem novinho, que ainda precisa primeiro melhorar suas notas de partida", explica Georgette.

 

Na Antuérpia, Letícia e Daniele competem na terça-feira, a partir das 9 horas (horário de Brasília). É mínima a possibilidade de que qualquer uma delas avance à final, seja no individual geral, sexta, ou à disputa por medalhas nos aparelhos, sábado e domingo.

 

"Sempre tem que haver esperança, apesar de eu saber que é difícil", diz a novata, que não esconde a ansiedade pelo primeiro Mundial da carreira. "É diferente de tudo o que eu já fui. Sei que vou chegar lá e ver ídolos. Mas tenho que mostrar do que eu sou capaz."

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