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Antero Greco
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Sem rivais

O Paraguai também sucumbiu à força que a seleção recuperou por aqui sob o comando de Tite

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 06h15

Até dia desses, a seleção tirava o sono do mais abnegado torcedor. A perspectiva de ficar fora de uma Copa não era tão improvável como a história e o cinco títulos faziam supor. Pânico ensaiava espalhar-se, a cotação estava em baixa. Num clicar de dedos, os temores sumiram, os fantasmas levaram pé nos lençóis, os maus presságios viraram fumaça. O Brasil sacudiu a poeira, limpou o mofo, reaprumou e está faceiro para aventurar-se na Rússia.

A reviravolta começou com a chegada de Tite, menos de um ano atrás, já com a tarefa urgente de semear a terra arrasada pelo antecessor. As vitórias voltaram a fazer parte da rotina, e o passo enorme rumo à 21.ª participação veio com os 3 a 0 sobre o Paraguai, ontem à noite, em Itaquera.

Outro resultado convincente, sem poréns nem entretantos, de equipe que encorpa, amadurece, afina a sintonia e resgata a autoestima lascada desde aqueles 7 a 1 numa noite de julho no Mineirão. O jovem grupo sob a batuta de Tite recuperou o gosto de jogar fácil, às vezes até abusado, e passeia sobre adversários conhecidos, mas que ultimamente lhe tiravam lascas.

O Paraguai não foi páreo para a turma de amarelo. No primeiro tempo até tentou parar a seleção com marcação forte e rodízio de faltas sobre Neymar. A tática esfarelou com o gol de Philippe Coutinho. No segundo, sem fôlego, sem rumo, sem técnica ou tática, levou outros dois, e a diferença só não foi maior porque Neymar errou pênalti.

Tite conseguiu equilíbrio na defesa, raramente incomodada, nivelou o meio, com Casemiro, Paulinho e Renato Augusto, tornou fluido o ataque com Coutinho, Firmino (Gabriel Jesus, quando estiver bom) e Neymar. Nas redondezas, por ora, não há rivais. Aguardemos quando vierem amistosos contra grandes da Europa. Serão testes importantes, mas hoje, sem patriotada, dá para esperar coisa boa.

Gigantes em apuros. Argentina e Holanda são escolas de futebol respeitadas. A seleção dos vizinhos tem dois Mundiais e três vices. Os europeus jamais levantaram a taça, mas ficaram em segundo em três ocasiões. Na competição de 2014, garantiram o terceiro.

Pois ambas correm risco de saltar o compromisso marcado para a Rússia. Os tropeços, indefinições e crises por que passam aumentam as dúvidas. Os holandeses chafurdam na etapa de qualificação europeia. O sorteio os jogou para o Grupo A, junto com França, Suécia, Bulgária, frequentadoras de Copas, além das insossas Bielo-Rússia e Luxemburgo. Na teoria, se imaginava chave complicada. A prática está a provar que é encardida. A Holanda está em quarto, com 7 pontos em cinco rodadas. A França lidera com 13, seguida de Suécia (10) e Bulgária (9). Pelo regulamento, o vencedor da série tem vaga assegurada, enquanto o vice vai pra repescagem. A safra não é boa e, para encrespar, no domingo acabou a aventura de Danny Blind como técnico.

Os argentinos penam nestas bandas. Há atenuante para eles pela forma de disputa. A América do Sul é região mais favorecida, em porcentuais, na distribuição de vagas: quatro diretas e uma na repescagem. Como são 10 participantes, isso significa que 50% podem estar na Rússia.

E não é que a rapaziada de Edgardo Bauza consegue provocar calafrios nos torcedores?! O mais recente veio no final da tarde de ontem, com os 2 a 0 para a Bolívia, em La Paz. Vá lá que havia vários desfalques, o maior deles Messi. Ok que a altitude derruba. Mas um vice-campeão não pode apresentar como retrospecto 6 vitórias, 4 empates, 4 derrotas, 15 gols a favor e 14 contra. Está no limite – 5.º lugar, com 22 pontos, e hoje iria para a repescagem. Bauza não consegue achar fórmula de harmonizar os talentos e transformá-los em equipe. Será que se aguenta até a Copa? Não boto muita fé.

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