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Sem tabu

Muricy Ramalho pode não dar muito valor aos tabus, mas eles incomodam. O fim da série de 12 partidas sem vitória sobre o Corinthians deve ser visto como uma influência bastante positiva na construção da equipe a partir de agora. A mensagem final do clássico, entretanto, é que são-paulinos e corintianos ainda estão longe de um padrão de jogo capaz de fazê-los lutar pelas competições mais importantes do ano, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2014 | 02h05

Pelos padrões do Estadual, dentro e fora do gramado, o jogo foi um sucesso, um presente nesse deserto técnico que é o Paulistinha. Como bem definiu Mano Menezes, São Paulo e Corinthians fazem um confronto maior que o próprio campeonato.

É fácil analisar a partida depois que a bola parou de rolar. Com o placar definido é possível comprovar qualquer tese, apontar erros e acertos. O melhor a fazer, no momento, é entender o que se passa com os times e quais as apostas de seus treinadores.

Diante de um Corinthians sem Jadson, mas estruturado para marcar, Muricy imaginou uma versão mais "leve'' do São Paulo. Com Souza, Maicon e Ganso no meio de campo, havia no Pacaembu um time montado para passar a bola e levá-la a Oswaldo e Luis Fabiano.

Diante do confronto físico, Muricy confiou na técnica. Os primeiros minutos do clássico apontavam para o fracasso da fórmula, principalmente quando Antonio Carlos marcou contra. A vantagem fez o Corinthians recuar e dar o primeiro tempo ao São Paulo. Com Renato Augusto sem a mobilidade de Jadson, o time de Mano posicionou-se para o contra-ataque, à espera do empate

Com números superiores aos do Corinthians, o São Paulo dominou os indicadores da partida, teve 63% de posse de bola e não viu o adversário acertar o alvo defendido por Rogério Ceni. O placar das finalizações certas terminou cinco a zero para a turma de Muricy.

A derrota, entretanto, não é uma tragédia para o Corinthians. O fato positivo é que a solução existe e precisa ser trabalhada. Antes mesmo do primeiro treinamento do ano, Mano Menezes percebeu a necessidade de alterar o sistema tático. Era preciso romper com o 4-2-3-1 supervitorioso de Tite.

Acomodados com o formato que trouxe os mais importantes títulos da história corintiana, os campeões mundiais caíram em sua própria armadilha.

Além da alteração do sistema para o 4-4-2, com três protetores para a defesa, era necessário trazer gente nova ao grupo, começar quase do zero, como chegou a decretar o presidente Mario Gobbi.

Com Ralf, Guilherme e Bruno Henrique no meio de campo, aconteceram duas mudanças estruturais na equipe: a proteção da defesa e o início da transição ofensiva. Mas faltava um meia de verdade, hoje missão complicada demais para a falta de mobilidade de Danilo e para Renato Augusto, ainda em busca de condicionamento físico especial para que possa ter uma temporada regular.

Jadson, por vários motivos, entre eles a necessidade de provar que ainda poderia ser decisivo, tem sido perfeito. E assim o Corinthians pode acreditar possuir um novo modelo para ser desenvolvido, agora com Mano Menezes.

É o que busca o treinador são-paulino. Qual é o seu modelo, qual a melhor formação para a sua equipe? Superior nos clássicos contra Santos (0 a 0) e Corinthians, no primeiro usou o zagueiro Paulo Miranda como lateral e deixou Paulo Henrique Ganso no banco, ontem apostou num formato diferente, mas igualmente ofensivo.

Então, qual é o modelo? Muricy está trabalhando nisso, jogo a jogo, mas ainda levará um certo tempo para encontrar o ponto de equilíbrio.

No geral, o clássico foi muito bom, trouxe um pouco de futebol ao falido Estadual e colocou gente na arquibancada. Por enquanto o cenário é esse, depois da Copa do Mundo é provável que os times melhorem um pouquinho, se houver dinheiro.

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