Thomas J. Russo/ USA TODAY Sports
Thomas J. Russo/ USA TODAY Sports

Sem Tiger Woods, o ranking do Masters de Golfe é uma página em branco

Vários golfistas jovens parecem prontos para dar início a uma nova era no esporte

Bill Pennington, The New York Times

15 de abril de 2021 | 20h00

Pouco mais de um ano atrás, a energia que alimentava o mundo do golfe vinha do efervescente entusiasmo para ver Tiger Woods defender o sísmico título que conquistou em 2019. Agora, o próximo capítulo da era de Tiger no Masters permanece totalmente indefinido. Por causa das graves lesões na perna que sofreu em um acidente de carro, em fevereiro, Woods está fora de combate e o seu futuro como golfista profissional não está claro.

“Ele transformou o esporte que conhecíamos”, afirmou Curtis Strange, bicampeão do U.S. Open que agora comenta partidas na ESPN, a respeito de Woods.

Mas o vazio criado pela ausência de Woods poderia servir para salientar a mais dramática transformação já ocorrida no golfe masculino profissional: uma mudança no topo do ranking semanal do esporte. Novas personalidades, e mais jovens, invadiram o espaço deixado por Woods, 45 anos, e alguns de seus contemporâneos, como Phil Mickelson, que completará 51 anos em junho. O esporte testemunhou uma injeção não somente de juventude, mas de jogadores com histórias de vida fascinantes o suficiente para suavizar essa transição.

Por exemplo, no último fim de semana, Hideki Matsuyama, de 29 anos, conquistou o Masters 2021 e se tornou o primeiro homem japonês campeão de Major.

Um ano atrás, Bryson DeChambeau não passava de uma excêntrica curiosidade do PGA Tour, conhecido mais pelos caprichos do que pelas conquistas. Em 2020 e continuando neste ano, DeChambeau, 29 anos, foi a força dominante do golfe mesmo quando não estava jogando. Com um intenso programa de condicionamento físico e um poderoso jogo de tacadas fortes de bolas prodigiosas, DeChambeau forçou os rivais a reconsiderarem tudo, de estratégias de jogo a dietas. Além disso, ele cativou os fãs representando uma nova geração nesse esporte ancestral - audaciosa, exibida e carismática.

DeChambeau também justificou as falas em que se gaba de ter reinventado o golfe ao arrasar no U.S. Open de 2020, e em um venerável campo de golfe, obtendo uma vitória vertiginosa que certificou seu status de fenômeno. DeChambeau ainda está por aí, com uma vitória no PGA Tour e um empate em terceiro lugar do Players Championship, mês passado. 

“Talento certamente ele tem, e talvez ter aprendido com a experiência de novembro possa beneficiá-lo”, afirmou Nick Faldo, tricampeão do Masters que trabalha atualmente como comentarista na CBS. Há elementos que trabalham contra a nova geração de jogadores. Mas a safra atual de jovens jogadores pode estar percorrendo rapidamente a curva de aprendizado.

Ou, como Zach Johnson, campeão do Masters de 2007, afirmou no mês passado, em uma entrevista por telefone: “É possível ter bastante experiência aos 27 anos. É possível que haja quatro campeões do Masters abaixo dos 30 em um período de seis anos. Isso não me surpreenderia nem um pouco.”

Jordan Spieth, que venceu o Masters de 2015 aos 21 anos, é outro jovem golfista de destaque. Spieth venceu três grandes campeonatos de golfe, mas ficou quase quatro anos sem ganhar um campeonato do tour até ganhar o Valero Texas Open. A ressurreição de Spieth o trouxe de volta ao jogo, e ele insiste que seu grupo etário está posicionado para vencer vários campeonatos. 

Outros nomes menos conhecidos do movimento da juventude golfista podem escapar da atenção de fãs casuais do esporte, mas isso não faz deles menos competitivos. O principal golfista desse grupo é Sungjae Im, 23 anos, da Coreia do Sul, que ganhou o prêmio de novato do ano no PGA Tour de 2019 e empatou em segundo lugar em sua estreia no Masters, no ano passado.

Como a passagem de uma tocha de geração em geração, a mudança está no ar. E os fãs do golfe já podem ir se aquecendo para a transformação que está em andamento nos primeiros lugares dos rankings. Com a recente queda na audiência de outros esportes na TV, os campeonatos do PGA Tour aumentaram a audiência este ano entre 10% e 20%, e pessoas no mundo do golfe creditam esse aumento à cada vez maior proeminência daquilo que Jim Nantz, comentarista veterano da CBS, chamava de “a nova brigada”.

“Chegamos a um momento em que não precisamos nos fiar somente em Tiger”, afirmou Nantz. “Todos conhecemos a enormidade da presença dele. Talvez ele volte algum dia, não é isso que estamos discutindo aqui. Mas como o esporte pode fazer a transição para um momento em que ele não está mais no topo do ranking?” Nantz continuou: “Há tantas figuras interessantes agora competindo nos mais altos níveis do nosso esporte; e, se eles forem validados como grandes jogadores, as pessoas vão assistir mais às partidas.” Tradução de Augusto Calil

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