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Reginaldo Leme
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Sem tirar o olho da tela

O motor Mercedes largar na frente no Mundial era uma certeza. O carro da Mercedes era uma boa aposta. Ambas se confirmaram. Embora seja apenas o primeiro dia de treino, o que Lewis Hamilton e Nico Rosberg mostraram é suficiente para se acreditar que um deles seja o vencedor da primeira corrida do ano. O que pode atrapalhar é a rivalidade entre eles. A McLaren não andou tanto, mas parece guardar forças, e Fernando Alonso deixa muito claro que, custe o que custar, vai fazer a Ferrari andar e dar trabalho aos favoritos. A Williams de Massa e Valteri Bottas está na briga. O carro foi veloz quando precisou, até que a equipe passou a trabalhar em acertos de corrida.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2014 | 02h16

A surpresa deste início de temporada, acreditem, é a Red Bull. Como pode a equipe que menos treinou na pré-temporada e várias vezes se viu obrigada até a encerrar os trabalhos diante dos graves problemas de um carro que mal conseguia sair do box, reagir dessa forma em apenas duas semanas de trabalho interno, levando para a pista um carro no mesmo nível da Ferrari? A explicação não está apenas em Sebastian Vettel, porque a diferença para o companheiro Daniel Ricciardo foi de 157 milésimos. A explicação, de fato, está na capacidade do engenheiro Adrian Newey, o criador de dez carros campeões do mundo (cinco da Williams, um da McLaren e quatro da Red Bull).

Os novos carros, que pareciam tão estranhos logo que começaram os testes da pré-temporada, já não são tão estranhos assim. Depois de ver tantas fotos e imagens na televisão, estamos começando a assimilar os novos desenhos. Mas o barulho do motor eu sinto que vai demorar mais um pouco para o ouvido aceitar. Se bem que, confesso, em freadas ou até mesmo quando os carros vão para os boxes, o "assobio" característico dos turbocompressores é agradável por lembrar a Fórmula 1 dos anos 80. O volume é mais baixo, fruto da diferença de tecnologia nessas duas décadas que separam aqueles motores dos atuais. O certo é que até amanhã o novo "ronco" já fará parte do meu dia a dia na F-1.

Começar a temporada pela Austrália é tradicional. O GP da Austrália completa agora 30 anos, mas os 11 primeiros encerravam o campeonato e eram disputados nas ruas de Adelaide. Desde que veio para Melbourne (1996), passou a ser a abertura do Mundial, com exceção de 2006 e 2010. Uma corrida especial em uma cidade espetacular. Mas sair do Brasil para chegar aqui não é fácil. É como se, literalmente, estivéssemos de cabeça pra baixo. Meu roteiro este ano foi quase uma volta ao mundo. Cruzei todo o Atlântico, mais o continente africano e parte do Oriente para pousar em Abu Dabi. Até aí foram 14 horas e 20 minutos no ar. Enquanto aguardava o voo seguinte, outras 13 horas, para Melbourne, me toquei que, desta vez, eu estava iniciando minha longa temporada de viagens exatamente pelo lugar onde ela vai terminar daqui a nove meses e 19 corridas. O GP de Abu Dabi é o último do ano. Na chegada, passei por cima da pista de Yas Marina, toda iluminada como se fosse noite de GP. Somando as duas pernas da viagem, dá algo em torno de 24 mil quilômetros. É quase 60% do que mede a circunferência da terra (40.075 km). Não é incomum ver colegas na sala de imprensa dando um cochilo. E olha que a maioria veio da Europa, uma viagem bem mais curta.

Mesmo com a largada às três da manhã, o torcedor brasileiro não terá motivos para cochilar. Além de ver Massa em um carro que pode lutar por vitórias, na tela da TV haverá um grande número de informações, entre as quais o nível de uso de cada pneu usado, o que é decisivo para se entender uma corrida. A identificação do piloto também ficou mais fácil, com o número de cada um nas cores da equipe. Numa disputa entre dois carros aparecerão na tela a marcha de cada um, níveis de aceleração e freio, velocidade e até a rotação do motor, pela nova regra limitada a 15 mil giros - além da diferença entre ambos nas cinco voltas anteriores. Há também um mapa de toda a pista com a localização em que se encontra cada carro identificado pelo número e as cores da equipe. E muito mais. Não dá para tirar o olho da tela.

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