Saeed Khan/AFP
Saeed Khan/AFP

Semenya irá à CAS contra novas regras sobre níveis de testosterona no atletismo

Com hiperandrogenismo, velocista sul-africana sofrerá diretamente com regra de limitação de testosterona em mulheres

Estadão Conteúdo

18 Junho 2018 | 15h50

Campeã olímpica e mundial da prova dos 800 metros, a sul-africana Caster Semenya irá à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) para contestar as novas regras que a Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) aplicará e que podem prejudicar algumas atletas.

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Em abril, a IAAF informou que a partir de novembro aumentará o rigor para medir o nível de testosterona em provas da modalidade que vão de distâncias de 400m aos 1.500m. As mulheres que possuem esse tipo de hormônio em excesso tem menos de cinco meses para tentar reduzir o nível mediante ao uso de contraceptivos. Caso contrário, estarão proibidas de competir.

Semenya está nesta lista de atletas que será prejudicada pelo novo regulamento, que divide opiniões. Ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e do Rio, em 2016, e três vezes campeã mundial, a fundista considera injusta a decisão da IAAF.

"Caster Semenya afirma que os regulamentos são questionáveis em numerosos motivos, incluindo que eles obrigam as mulheres sem queixas prévias de saúde a serem submetidas a intervenções médicas para reduzir os níveis de testosterona", declarou o escritório de advocacia Norton Rose Fulbright, que representa a atleta.

Semenya, de 27 anos, tem hiperandrogenismo, que é o alto nível de testosterona no corpo. Por conta disso, ela trava uma batalha contra a IAAF desde 2011, quando pela primeira vez a entidade tentou obrigar atletas com esse tipo de disfunção a utilizar métodos artificiais para reduzir seus níveis de testosterona.

As novas regras já tinham sido questionadas pela Federação Sul-Africana de Atletismo, que apoiou Semenya. A IAAF argumenta que as mulheres com níveis anormalmente altos de testosterona têm vantagem sobre as suas rivais.

Com as novas regras, caso ela não consiga reduzir o seu nível de testosterona, Semenya não poderá defender seu título mundial nos 800m no próximo ano, em Doha, no Catar. O recurso da atleta deverá ser analisado na próxima segunda-feira.

 

 

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