Fábio Vicentini/Agência AG
Fábio Vicentini/Agência AG

Semifinalistas olímpicos começaram a lutar em ringue no quintal

Esquiva e Yamaguchi Falcão foram treinados pelo pai, o 'Touro Moreno', no interior do Espírito Santo

MARCUS VIEIRA, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2012 | 23h57

SERRA (ES) - A casa não é difícil de encontrar, principalmente se você perguntar onde mora Touro Moreno. O quintal de terra batida ainda é o mesmo e a bananeira, usada como saco de pancada, ainda está lá. Mas o ringue improvisado sumiu, e os filhos de sobrenome Falcão voaram para o destino que o pai sempre sonhou.

Desde o dia 30 de julho, quando Yamaguchi Falcão, de 24 anos, fez sua primeira luta na

Depois, seguiu para as lutas: passou pelo boxe, pelo jiu-jítsu e se consagrou no vale-tudo – numa época, porém, em que isso não significava ganhar dinheiro.

Toda a experiência que acumulou ele passou aos filhos, que treinavam juntos, mas nunca puderam lutar entre si. Para não ver um filho batendo no outro no ringue, Touro fez questão que Yamaguchi trocasse de categoria, deixando o irmão entre os pesos médios (até 75 kg) e subindo para os meios-pesados (até 81kg).

Antes dos Jogos Olímpicos, Touro Moreno dizia ter jogado “duas cartas na mesa”, e que pelo menos uma iria brilhar. Mas se surpreendeu ao ver os dois garantindo as medalhas de bronze. “Estou muito feliz, sonhando acordado. Nunca tive uma vida fácil e dizia para todo mundo que eu não iria plantar batata ou milho. A minha lavoura seriam os meus filhos”, disse ao site Gazetaesportes.com, após a luta na qual Esquiva garantiu o bronze.

A juventude dos dois pugilistas foi à base de dificuldades. Eles almoçavam com a ajuda de vizinhos e chegaram a perder a casa onde moravam. “O boxe foi a forma que encontramos para dar uma vida melhor aos nossos filhos. Era o melhor que meu marido tinha nas mãos, e foi isso que fez deles vencedores”, diz a mãe dos dois atletas, Maria Olinda, de 49 anos.

Na última quarta-feira, 08, Yamaguchi venceu seu maior rival, número 1 da categoria, o cubano Julio La Cruz. O quintal da família recebeu quase 80 pessoas, reunidas para assistir a classificação dele para as semifinais, que garantiu mais uma medalha para a família Falcão.

E, nesta sexta-feira, a casa vai ficar cheia novamente, quando Esquiva e Yamaguchi lutam nas semifinais. O primeiro encara o britânico Anthony Ogogo, às 11 horas (horário de Brasília). E o segundo pega o russo Egor Mekhontcev, às 18 horas.

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