'Sempre sonhei em estar na maior conquista do clube'

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

HARLEY

Goleiro do Goiás

GOIÂNIA

O treino é puxado, debaixo de sol forte, num calor de mais de 30 graus. Ele não reclama, pula para cá, para lá, se estica, faz pontes, leva boladas e, após duas horas de trabalho, ainda encontra tempo para atender aos fãs e distribuir autógrafos. Mesmo sofrendo com uma infecção estomacal, ele não deixa de falar com ninguém. Ao lado do filho Leandro, de 11 anos, Harley, 38 anos, se dirige ao vestiário para, antes do banho, conversar com a reportagem do Estado. Simpático, contraria as ordens do assessor de imprensa do Goiás e faz questão de contar sobre seus 11 anos de clube, dos 690 jogos, da expectativa de entrar para a história do clube com a conquista da Sul-Americana diante do Independiente e o que deu errado para o time ser rebaixado. "Posso estar me despedindo na Argentina e quero fechar o gol para, caso não renove o contrato, sair festejando a maior conquista do clube.

Como prevê a decisão?

Fizemos uma boa vantagem no Serra Dourada (2 a 0). Porém, tenho bastante experiência de jogos internacionais quando defendi o Cruzeiro, em Libertadores e Supercopa. Contra argentinos, na casa deles, os jogos são sempre duríssimos e vamos para lá cientes disso. Apesar das dificuldades, estamos preparados para tudo.

Qual mensagem mandaria para a torcida sobre essa final?

Queria dizer que todas as nossas forças, nossa alma, será colocada em campo nesta quarta-feira. Depois de alguns insucessos no ano, o Goiás vai ressurgir a partir deste título e, com certeza, fará uma passagem rápida na Série B.

Se você não sofrer gols, o time é campeão. Isso aumenta sua responsabilidade?

Desde que cheguei, sempre ouvi que o Goiás tinha de ganhar um título importante. E pedi muito a Deus para que fizesse parte disso como atleta. Posso estar me despedindo do Goiás na Argentina e quero fechar o gol para, caso não renove, sair festejando a maior conquista do clube (após 11 anos e 690 jogos, ainda não foi procurado para uma renovação).

Se não te procurarem, vai se aposentar após o jogo?

Ainda quero jogar por duas temporadas. Mas darei total preferência para seguir no Goiás (ele já recusou convites de Corinthians, Santos, Internacional e Atlético-MG). Estou bem aqui e se receber propostas semelhantes, vou optar por onde passei os melhores momentos da carreira, onde sou querido e respeitado por todos, que é aqui no Goiás.

Você falou da Série B. O rebaixamento foi a maior frustração?

Minha maior frustração foi não ter conseguido um título de expressão. Já fizemos grandes temporadas aqui, brigamos até quase o fim, só que o clube acabou se perdendo no caminho (foi terceiro, por exemplo, no Brasileiro de 2005), depois deixamos escapar. Sobre a Série B, vai ser bem passageiro, muito rápido. E eu gostaria de reconduzir a equipe à Série A.

O que deu de errado, já que o time melhorou no fim do ano?

Começamos a temporada com uma diretoria muito despreparada. E, para piorar, os problemas políticos atrapalharam muito. Em 11 anos de clube, eu nunca tinha visto o salário atrasar. Esse ano fiquei três meses sem receber. O senhor Hailé Pinheiro reassumiu o clube, pagou cinco salários em 60 dias, deu uma revigorada, mas já era num momento tardio para saírmos do rebaixamento. Todo o desgaste que houve com a diretoria passada acabou nos derrubando.

Sobre a carreira, o que pretende fazer depois que parar?

Sou um cidadão goianiense (nasceu em Belo Horizonte). Meus investimentos estão aqui, minha família toda está aqui. Fiz questão que meus filhos nascessem em Goiânia. Sou apaixonado pelo Goiás, foi algo que entrou no meu coração. Sem jogar, vou vestir minha camisa, pegar minha bandeira e ir para o estádio torcer pela equipe.

Mas não é pouco ser apenas um torcedor?

Sempre serei torcedor. Mas penso em ter um cargo no clube, seguir colaborando.

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