Andrew Gombert/Efe
Andrew Gombert/Efe

Sensação dos Knicks salva a temporada da NBA

Formado em Harvard, armador Jeremy Lin bate recordes e esquenta a liga

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h04

NOVA YORK - A temporada 2011/2012 da NBA parecia destinada a entrar para a história como aquela que quase foi cancelada por causa de um locaute. Agora não mais. No futuro, os historiadores da liga vão se lembrar dela como a temporada do furacão Jeremy Lin, o descendente de taiwaneses que em míseras duas semanas deixou de ser um completo desconhecido para se tornar uma das maiores atrações do campeonato. Não por acaso, sua história tem sido comparada à de Cinderela e ele ganhou o apelido de Linderela.

A trajetória de Lin no basquete é incomum desde o começo, na universidade de Harvard, onde ele completou o curso de Economia. Uma das melhores e mais respeitadas universidades do mundo, Harvard não tem tradição nos esportes, tanto que sequer participa da liga universitária que tanto sucesso faz nos Estados Unidos. Sua equipe disputa um torneio menor, em que enfrenta outras universidades de primeira linha no quesito qualidade de ensino (como Princeton e Yale) e foi lá que Lin, que joga como armador, começou a mostrar o seu potencial com a bola laranja nas mãos.

Inscrito no draft de 2010, Lin foi ignorado pelos 30 times da liga. Ainda assim, ele conseguiu um contrato com o Golden State Warriors, mas praticamente não jogou por lá. Milagrosamente, Lin conseguiu um contrato com o New York Knicks, mas nada de atuar. Até que, duas semanas atrás, bateu o desespero no técnico Mike D'Antoni - por causa dos maus resultados e da falta de opções - e ele colocou o rapaz de 23 anos para jogar. E foi aí que a vida de Lin mudou.

Com ótima visão de jogo, pontaria precisa e maturidade absurda para alguém que pouco jogou na NBA, Lin vem arrebentando jogo após jogo. Na noite de terça-feira, ele decidiu a partida com o Toronto Raptors com uma cesta de três pontos a segundos do fim. Após um começo ruim, ele se recuperou e um desempenho brilhante no último quarto fez Lin terminar com 27 pontos. Nos seis jogos que fez como titular dos Knicks (incluindo o de quarta-feira à noite, contra o Sacramento Kings), ele atingiu média de 24 pontos e 9,25 assistências, uma excelente marca.

A combinação de uma história incomum com um desempenho brilhante transformou Jeremy Lin no assunto do momento nos EUA. Ninguém fala em outra coisa e até o presidente Barack Obama, fã de basquete, tem se derretido em elogios ao jogador. Atletas, técnicos, jornalistas, torcedores... Todos estão boquiabertos com a façanha de Lin.

A torcida dos decadentes Knicks está, obviamente, em êxtase. E até os adversários estão faturando, pois eles têm aumentado os preços dos ingressos quando recebem a equipe de Nova York. E há os chineses. Carentes de um ídolo na NBA desde que Yao Ming encerrou a carreira, os torcedores chineses "adotaram" Lin, apesar de seus pais terem nascido em Taiwan, uma república que ainda alimenta o desejo de um dia ser independente da China.

Agora que está famoso, Lin conseguiu dar adeus ao sofá do apartamento de seu irmão e mudar-se para um lugar só seu. Esse foi apenas um dos obstáculos superados pelo garoto, mas há outros. E o mais urgente é provar que é mesmo um grande jogador, e não um mero sonho de algumas noites de verão - ou inverno, estação vigente nos EUA.

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