Sequestro, brigas, lesões, tudo aconteceu no Palmeiras em 2012

Nem o mais otimista palmeirense poderia dizer que este time se sagraria bicampeão

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h05

CURITIBA - Esse título tem que ser muito comemorado por todos palmeirenses, já que é possível assegurar que foi uma das conquistas mais difíceis da história do clube. Tudo parecia conspirar contra a equipe. Uma sucessão de problemas fez com que nem o mais otimista dos torcedores pudesse imaginar que em meio a tanta coisa ruim, o time voltasse a brilhar entre os melhores do Brasil e conquistasse uma taça nacional após 12 anos. Problemas médicos, policiais, com arbitragem... não faltaram motivos para preocupação, mas nada foi forte o suficiente para impedir a histórica conquista. Nesta quarta-feira, em Curitiba, Thiago Heleno saiu machucado ainda no primeiro tempo. Luan entrou na etapa final, teve um problema muscular e ficou se arrastando pelo campo.

Lesões se tornaram um infeliz hábito ao longo da competição. Contratado a peso de ouro, Wesley fez apenas um jogo na Copa do Brasil e sofreu uma grave lesão. O xodó de Felipão e considerado pelo treinador o jogador mais importante taticamente para o time, Luan conseguiu participar de apenas três partidas e também virou desfalque.

Enquanto isso, Valdivia perambulava entre o departamento médico e o gramado. Até uma biópsia muscular foi feita para tentar descobrir o problema. Só azar não poderia ser.

Para a final, o grande golpe. O artilheiro Barcos teve uma inesperada crise de apêndice e precisou fazer cirurgia às pressas, desfalcando o time justamente no momento de decisão. E para o segundo jogo o problema foi Maikon Leite. O reserva tão utilizado por Felipão se machucou diante da Ponte Preta, no último domingo, e também não conseguiu estar 100% para o jogo. Ele chegou a ficar a disposição para o técnico Luiz Felipe Scolari para o segundo jogo da decisão, mas visivelmente não apresentava boas condições.

Felipão admite que algo inexplicável e obscuro rondou o time. "Uma coisa ou outra que acontece são estranhas. Barcos ter apendicite? Isso é do tempo da onça! Impressionante", resumiu.

Só os desfalques médicos já seriam suficientes para jogar por terra toda a esperança verde em conquistar um título. Mas o destino, azar ou seja lá o que for, fez com que mais pedras aparecessem no caminho e essas ainda maiores. O Palmeiras por diversas vezes foi parar em páginas policiais. Maikon Leite sofreu uma tentativa de sequestro, Daniel Carvalho foi assaltado e o caso mais grave aconteceu com Valdivia.

O chileno foi vítima de um sequestro relâmpago, onde ficou horas na mira de uma arma junto com sua esposa e filhos e pensou até em abandonar o clube. Mas convencido pela diretoria decidiu ficar pelo menos até o fim da Copa do Brasil. O presidente Arnaldo Tirone também escapou dos casos de violência. Um conselheiro o acusou de ter-lhe agredido com socos e pontapés no clube.

Dentro de campo, com os jogadores que escaparam de lesões e da violência, Felipão também não conseguiu ter paz. Alguns jogadores que pareciam titulares absolutos passaram a errar demais e perderam seus postos.

O caso mais emblemático é do goleiro Deola, que após falhar contra o Guarani e ser um dos responsáveis pela eliminação do time no Paulistão, perdeu a vaga para Bruno, que estreou contra o Paraná, pela Copa do Brasil. Encontrar o substituto de Marcos, que aposentou no início do ano, não é fácil para Felipão, já que Bruno também é visto com desconfiança por muitos torcedores.

Na lateral, Cicinho chegou como destaque, mas caiu de rendimento e virou reserva de Artur. No meio, Márcio Araújo deixou de ser a segurança da defesa para ser substituto do zagueiro Henrique, que passou a atuar improvisado como volante.

Por falar em Henrique, o time também cansou de reclamar da arbitragem. O zagueiro, por exemplo, foi vitima de um erro crasso da arbitragem no segundo jogo da semifinal contra o Grêmio e expulso injustamente desfalcou o time no primeiro jogo da decisão. No desespero de tentar corrigir a falha do árbitro, o clube chegou a tentar a anulação do cartão vermelho que atleta recebeu, mas a tentativa foi em vão e ele teve que cumprir a suspensão no primeiro jogo da final.

"Aqui tem sequestro-relâmpago, assalto, briga... parece que algumas coisas acontecem só com a gente. Quer dizer, pode até ser que aconteçam nos outros, mas não são noticiadas", desabafou Felipão.

Mas o treinador fez com que todas essas coisas negativas servissem para unir mais o elenco e fazer com que os problemas se tornassem fatores motivacionais. O resultado deu certo. Não teve lesões, crimes ou falhas que impedissem a volta do Palmeiras ao topo do futebol brasileiro.

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