Ser mãe, única certeza na vida de Maurren

A aparência é de mulher feliz, apesar das incertezas que envolvem seu futuro. Maurren Higa Maggi, 27 anos, a atleta brasileira de quem mais se esperava uma medalha olímpica em Atenas, passou da perspectiva do viver o ápice da carreira à possibilidade de encerrá-la. "Sinto minha cabeça pesada quando penso nisso. Mas se tiver de largar tudo pelo meu filho, eu largo", afirmou Maurren, ontem, em Mônaco, onde vive com o namorado, o piloto de testes da Williams na F-1, Antonio Pizzonia. "A novidade é que estou grávida. O Antonio ficou meio assustado no começo, mas agora está adorando, passa a mão na minha barriga a toda hora." Maurren, bronze no salto em distância no Mundial Indoor de 2003, em Birmingham, foi surpreendida com um antidoping positivo em junho do ano passado, após o Troféu Brasil, em São Paulo. Mas a seqüência da carreira não está na dependência de a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) manter a suspensão de dois anos por doping - a punição entrou em vigor em 1.º de agosto de 2003. Maurren entrou com recurso contra a sentença, mas, no momento, está preocupada com o que ela e Pizzonia definirão para o futuro dos dois. "Não somos casados, apenas namorados", afirma. Pizzonia desconversa, evita definições. "Não sei, não sei." Ela fala como se não pensasse em jogar fora o enorme potencial demonstrado em provas como o salto em distância. Quando parou de competir, em 2003, era dona da melhor marca do mundo no ano (7,06 m). "A gravidez não me impede de treinar." Conta que tem feito corridas pela orla do principado de Mônaco, acompanhando o namorado. "Posso até saltar. Só tenho de evitar os impactos mais fortes. Meu desejo é continuar no atletismo. Voltarei para o Brasil no dia 30 e vou conversar com meu técnico, Nélio Moura, visando exatamente a ter um programa de treinamento para minha condição de grávida." A trajetória de Maurren nas pistas sempre foi marcada pela evolução. "Desde que me destaquei no esporte, em 1999, minhas marcas só cresceram. Está em mim buscar ser cada vez mais eficiente. Sempre sonhei com uma medalha olímpica." Mas agora, diz, tudo é secundário. "Não sei o que acontecerá. Adoro criança, sou muito próxima do meu sobrinho, da filha do Nélio. Hoje, os dois têm 10 anos." Parece dividida - o calor do atletismo a alimenta também. "Sinto saudades da vida de competição." É nítida a sensação de insegurança que Maurren transmite. O drama da atleta começou em junho de 2003. O exame antidoping detectou a substância Clostebol, um esteróide anabolizante. Maurren diz que se contaminou com uma pomada cicatrizante, usada após depilação a laser. Foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Atletismo, primeira instância de defesa. Mas a IAAF não aceitou a sentença do tribunal do Brasil. "Ainda não sei quando serei julgada. Depois que perdi o apoio de patrocinadores, estou usando parte do que ganhei para me defender."

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