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'Será aplicada a lei boliviana', diz embaixada sobre corintianos detidos

Agente consular do Brasil foi enviado a Oruro para acompanhar o caso da torcida corintiana

Gonçalo Junior, Raphael Ramos e Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h08

SÃO PAULO - A embaixada brasileira em La Paz, capital da Bolívia, enviou na quinta-feira um agente consular e um advogado para Oruro, cidade distante 226 quilômetros onde estão presos os 12 torcedores do Corinthians acusados pela morte do torcedor Kevin Beltrán.

Havia receio na embaixada de que pudessem ocorrer abusos por parte da polícia local por causa da grande comoção que tomou conta da Bolívia após a morte do torcedor de 14 anos.

"Será aplicada a legislação boliviana, mas é importante que os fatos sejam apurados dentro do processo legal. Os brasileiros devem ter direito à defesa e também não poder haver detenção injustificada", afirmou Eduardo Saboya, ministro conselheiro da embaixada brasileira.

"Não posso fazer especulações. Não sabemos quais foram as circunstâncias das detenções. Vamos avaliar e detectar abusos e irregularidades. Se houver, protestaremos", completou.

Para a embaixada, a preocupação com a segurança dos torcedores não significa complacência. A princípio, os diplomatas não vão defender os brasileiros detidos, apenas resguardar os direitos garantidos pela lei boliviana.

"Não somos advogados de brasileiros", disse Saboia. "Queremos apenas garantir que o incidente tenha uma apuração correta e que os brasileiros tenham tratamento dentro da legalidade".

MAIS TEMPO

O "Caso Estadium", como está sendo chamado na Bolívia, não terá uma resolução em menos de 15 dias. Esse será o tempo necessário para colher os resultados dos exames nos 12 torcedores presos na noite de quarta-feira na delegacia, chamada Força Especial de Luta contra o Crime (Felcc). Todos tiveram de passar por um teste para detectar a presença de pólvora nas mãos. Segundo a polícia, seis deles - que não tinham pólvora nos exames iniciais - podem ser liberados para retornar ao Brasil antes desse período.

Os policiais também querem comparar o sinalizador que atingiu Kevin com outros nove encontrados com os torcedores. Os bolivianos descartaram eventuais erros na fiscalização nos portões de entrada do Estádio Jesús Bermúdez - os sinalizadores são proibidos na Bolívia.

O coronel Carlos Quiroga Ramos disse que todas as evidências indicam que o autor do disparo está entre os presos (os brasileiros alegam que o infrator já havia retornado ao País). "Temos suspeitos, mas vamos encontrar o culpado", afirmou.

A morte de Kevin Beltrán Espada ganhou as manchetes de todas as versões eletrônicas dos principais periódicos bolivianos. O portal La Tercera, por exemplo, estampou "a Taça Libertadores está de luto". O La Razón ressaltou que vários torcedores saíram do estádio chorando no final da partida.

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