Serena dá aula a Sharapova e entra na história

Com o ouro, americana consegue o raro feito de vencer o Golden Slam - a soma dos quatro Grand Slams e a Olimpíada

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL/ LONDRES , O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2012 | 03h07

De desacreditada na competição ao status de única mulher no circuito a vencer o Golden Slam - a soma dos quatro Grand Slams mais a medalha de ouro olímpica. Ontem, a americana Serena Williams deu uma aula de tênis à russa Maria Sharapova, terceira do mundo, e garantiu o alto do pódio nos Jogos de Londres. "Tenho agora todos os títulos", comemorou a americana, que aproveitou para avisar: "Estarei no Brasil em 2016".

Ontem, Serena humilhou Sharapova no primeiro set e não cedeu nenhum game. Em 28 minutos, aplicou um severo 6/0, algo que Sharapova, terceira melhor do mundo, há muito não experimentava. O segundo set foi semelhante, com 6/1 no placar - para o desespero da russa. "Entrei em quadra tão concentrada que estava cega. Quando sacava pensava: essa é a melhor chance de sair com o ouro", disse Serena, quarta no ranking mundial, que, há um mês, comemorou a conquista do torneio de Wimbledon. Além dela, apenas Steffi Graf conquistou o Golden Slam, em 1988.

Serena criticou aqueles que consideravam sua carreira acabada por conta de contusões. "Eu mesma cheguei a acreditar que nunca mais jogaria tênis", lembrou. "As contusões foram péssimas. Mas talvez tenham criado uma pessoa com vontade ainda maior de vencer."

Serena atacou também os críticos que insistem que o tênis não tem lugar nas Olimpíadas. "Vibrei muito com essa medalha, provavelmente mais que em alguns títulos considerados nobres", atacou. "O sonho de todo atleta é ter uma medalha de ouro. Isso sim te coloca na história."

Visivelmente abatida, Sharapova preferiu não dar desculpas para a humilhação que sofreu. "Serena está rápida demais e forte demais. Estava incendiada hoje e não me deu qualquer oportunidade." A russa completou ontem quatro anos sem vencer r um set contra Serena. A última vez que Sharapova saiu de quadra com a vitória foi em 2004, em Wimbledon. Ontem, a forma como a russa foi derrotada deixou parte do público lamentando por ela. "Maria, ainda quero casar com você", gritou um torcedor quase no fim da partida.

O vento levou. Já Serena não disfarçava a felicidade, dançando e cantando no pódio. Durante a entrega de medalhas, a bandeira dos Estados Unidos, que estava sendo elevada ao som do hino, foi levada pelo vento - e o mastro ficou sem bandeira. A tenista americana levou na brincadeira. "A bandeira sabia que eu tinha conquistado tudo. Queria me dar um abraço."

Para Serena, este ainda não é o fim de sua carreira. Aos 30 anos e com currículo invejável, ela quer continuar a vencer. "Meu objetivo é ir aos Jogos de 2016, no Rio."

TÊNIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.