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Série A, pra quê?

Nada como a vitória. A vitória é feita de uma mistura de embriagues e orgulho. E é anônima. Não importa de quem se ganha. Não importa se o adversário é forte ou fraco, não importa nem sequer seu nome. Basta a vitória.

UGO GIORGETTI, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h03

Nesse sentido a única torcida em festa, neste momento, é a do Palmeiras. Vejo voltarem dos jogos do Pacaembu torcedores com suas bandeiras e suas camisas e não leio em seus rostos e atitudes que venceram um time da Série B. Não, a atitude é a mesma, a alegria genuinamente igual, como se tivessem vencido um dos times da chamada Série A.

Caminham de cabeça erguida, voltam para casa felizes. Há enorme paz num clube que vive em guerra. Lá onde as notícias eram geralmente catastróficas, a imprensa tem pouco o que divulgar. Por incrível que pareça faltam notícias no Palmeiras! Faltam, alias, más notícias.

De vez em quando algo que em outros tempos estaria provocando tempestades ameaça quebrar o clima, como a notícia de que o treinador Gilson Kleina não está seguro no cargo. Mas isso no futuro. Refere-se a algo que ainda pode suceder num futuro que nem está diante de nós. E a tempestade acaba se transformando numa reles chuvinha.

Tudo por causa das vitórias. Nesse item a torcida do Palmeiras está muito mais bem servida que a maioria de seus rivais. Principalmente locais. O Corinthians parece em crise, jogou a toalha quanto ao campeonato e luta para tentar a Libertadores. O Santos, mediano, não pode se orgulhar de nada. O São Paulo, pior ainda, luta para não cair. Só a Portuguesa parece bem, e mesmo assim é coisa recente.

Ganhando mesmo está o Palmeiras. Há uma clara convicção na torcida de que esse time é muito melhor que muitos times da Série A. É só olhar a tabela e verificar. E não se fala só dos times eternos candidatos ao rebaixamento, fala-se de equipes do porte de Vasco da Gama, Flamengo, São Paulo, etc, etc...

As diferenças entre as séries A e B parecem diminuir. O Goiás, por exemplo, recém-chegado na Série A, está fazendo campanha satisfatória. Para não falar no Atlético Paranaense, que faz campanha mais do que satisfatória, empolgante. Aliás, apesar de ter sido desclassificado da Copa do Brasil pelo Atlético Paranaense, o Palmeiras é um dos poucos times a tê-lo batido, aqui no Pacaembu.

Esses são os cálculos e conjecturas que faz o torcedor do Palmeiras enquanto desce para o estádio para ver seu time ou enquanto aguarda vê-lo pela TV. De quebra, a falta de patrocínio que parece assustar, apavorar, os clubes não dá mostras de dobrar o Palmeiras. Ao contrário a camisa surge mais limpa, seu emblema mais visível, o que é uma vantagem, pois esse sim, o emblema, pode ainda assustar adversários. Logotipos de empresas não assustam.

Sabiamente o clube espera por ofertas de patrocínio que sejam digno de sua grandeza. Não se fala mais em torcida esperando jogadores para agredi-los. Craques que até outro dia eram hostilizados, culpados pelas derrotas, que se esgueiravam assustados pelos corredores dos aeroportos, como Valdivia, são hoje aplaudidos de pé quando deixam o campo. E deixam o campo sem reclamar.

O Palmeiras é um dos times, finalmente, que mais fornecem jogadores para seleções nacionais. Henrique, na principal do Brasil, onde esteve recentemente Leandro, Vinícius na sub-20 do Brasil, Valdivia no Chile, Eguren no Uruguai. Fora isso alguns estariam na seleção da Série A, estivessem jogando por lá, como Fernando Prass ou Wesley. Tudo parece bem.

É claro, que futebol é futebol e tudo pode mudar. Principalmente num clube de temperamentos instáveis, entre alegria profunda e depressão sem fim. Mas que o momento é bom, é. Esta coluna me foi sugerida por uma frase que ouvi em plena redação deste jornal, quando um dos colunistas mais influentes e talentosos, e ainda por cima um bom amigo, dizia pra quem quisesse ouvir: "Série A, pra quê?''

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