Série C dá bola para os jogos. Já para os treinos...

Clubes reclamam do custo do instrumento de trabalho e usam material de outras marcas

Anelso Paixão, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

O drama dos clubes da Série C do Campeonato Brasileiro parece não ter fim. Não bastassem os custos com viagem, hospedagem e arbitragem com que terão de arcar sem ajuda alguma da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ainda esbarram em outro problema, esse envolvendo o instrumento fundamental para a prática do futebol: a bola. É que a maioria dos campeonatos estaduais foi disputado com marcas diferentes da que está sendo usada agora na Série C. E, como o compromisso da CBF é mandar bolas apenas para os jogos (cinco por partida), os clubes simplesmente não têm o instrumento de trabalho para os treinamentos. "O jeito é comprar, mas aqui em Belém custa quase R$ 500", protesta o presidente do Paysandu, Luiz Omar Pinheiro. "E um clube profissional não usa menos que 80 bolas numa disputa como essa."O conterrâneo Águia de Marabá, também do Pará, vive situação semelhante e seu presidente, Sebastião Ferreira Neto, Ferreirinha, faz uma confissão: "Compramos só cinco bolas, ao preço de R$ 400. Então, vamos usá-las apenas em coletivos e treinos de cobrança de falta e escanteio. Os outros serão feitos com a bola do estadual".Pior ainda a vida dos jogadores do Marília, que só conheceram a bola da disputa em pleno dia do jogo, no domingo passado, em Criciúma. "Treinamos a semana inteira com a bola do Paulista, que era de outra marca, e tivemos o primeiro contato com essa na hora do jogo", conta José Roberto Duarte de Mayo, presidente do clube. "Já temos uma lista de material com o pedido de 20 bolas, mas não é barato."A bola oficial utilizada pela CBF nos campeonatos da Série A e da Série C é a Nike Total 90 Aerobic, que chega às lojas do Rio, sede da entidade, ao preço de R$ 199 e é vendida ao consumidor final por R$ 359, segundo apurou o Estado. Esse custo, porém, varia em outras praças. Em Marília, por exemplo, o clube diz que orçou o melhor preço a R$ 399. Já o presidente do Gama, Paulo Goyaz, conta que comprou oito a R$ 200 cada, mas explicou que o clube utiliza 20 por mês. "Portanto, se formos até a final, em setembro, o custo final será de R$ 20 mil."Esses valores oneram ainda mais a situação dos clubes, que calculam gastos de R$ 20 mil a R$ 30 mil com cada viagem, incluindo passagens aéreas, hospedagem e alimentação. Na proposta que encaminharão à CBF, as reivindicações são: isenção de taxa de arbitragem, passagem dos árbitros e taxa de exame antidoping; 30 bolas para cada time, e liberação para negociar com alguma TV aberta a transmissão dos jogos, que passariam de domingo para sábado à tarde. A esperança é de que ao menos isso, a bola, a CBF dê. CUSTO DO MATERIAL20 bolasé o mínimo que cada clube usa para treinamentos em um mêsR$ 199 é o custoque uma bola chega ao lojista no Rio, sede da CBFR$ 359 é o preço finalao consumidor, também no RioR$ 20 milé quanto o Gama calcula gastar se chegar à final da competição

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