Sesi conquista título e encerra jejum paulista

Equipe comandada por Giovane vence o Cruzeiro por 3 a 1, em BH, e traz o troféu para São Paulo após seis temporadas

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

O Sesi superou a pressão da torcida adversária e fez valer a força do seu elenco de estrelas para conquistar o título inédito da Superliga Masculina de Vôlei 2010/2011. O time do técnico Giovane Gávio - que se tornou o primeiro brasileiro a vencer a competição como atleta e treinador - derrotou o Sada Cruzeiro por 3 sets a 1 (25/19, 19/25, 27/25 e 25/17), ontem, no ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte. Após cinco temporadas, desde o triunfo do Banespa sobre o Minas na edição 2004/2005, uma equipe de São Paulo voltou a vencer a competição.

Dono da melhor campanha na fase classificatória, o Sesi levantou a taça apenas dois anos depois de ser criado. "Prevaleceu a qualidade dos nossos jogadores. A equipe foi consistente", comentou Giovane. Eleito melhor jogador em quadra, o ponteiro Murilo preferiu tratar sua primeira conquista da Superliga como uma vitória coletiva. "Tenho muitos títulos pela seleção, mas faltava um título brasileiro. Todos batalharam por esse objetivo e conquistamos como um grupo. Não foi um ou dois jogadores que venceram, mas a equipe toda. O nosso grupo é a nossa maior arma", comentou o atleta.

Outro destaque da partida, o oposto Wallace Martins confirmou o título de maior pontuador do torneio. "Era algo que eu desejei muito e as coisas foram acontecendo", comemorou.

Wallace fez a diferença no primeiro set, quando os dois times pareciam nervosos. O equilíbrio prevaleceu até o 18.º ponto, mas com um saque mais encaixado e se apoiando no ataque do oposto, o Sesi disparou no fim e venceu por 25 a 19.

No set seguinte o Cruzeiro recorreu à principal característica do time - o conjunto - para empatar a partida. Melhorou em todos os fundamentos e se manteve o tempo todo à frente do placar, contando também com o excesso de erros do adversário. O ponteiro Filipe foi o destaque e o time mineiro fechou com uma vantagem de seis pontos: 25 a 19.

O equilíbrio também foi a tônica do terceiro set. Mas o time paulista teve mais frieza e precisão. Venceu por 27 a 25 e fez 2 a 1 com um bloqueio triplo em cima de Filipe.

O Cruzeiro se abateu e voltou para a quadra desconcentrado. Já o Sesi entrou determinado a consolidar a vitória no quarto set. Com bloqueio eficiente, abriu uma larga vantagem, colocando pressão sobre o adversário, que até ensaiou uma reação, mas não conseguiu evitar a derrota. Num ataque de Vini, o Sesi venceu por 25 a 17.

Giovane aproveitou o momento de emoção para fazer um desabafo. "Muita gente dizia para mim "você vai colocar em risco toda a sua carreira, tudo o que fez lá atrás"", lembrou. "Mas eu precisava buscar alguma coisa nova. E é isso que estamos fazendo aqui. Quero agradecer tanta gente, mas sobretudo a família, que é a parte que mais sofre."

Troféu. Murilo decidiu entregar o troféu de melhor jogador da partida para Vini, que foi decisivo no último set e chorava bastante durante a premiação. "Ele está vivendo um momento especial na vida dele, a esposa está grávida. Apesar de não ter dois metros, de não ser um jogador de seleção, ele é um ponto de referência da nossa equipe", explicou Murilo, eleito o melhor jogador do mundo em 2010.

ELEIÇÃO DA CBV

Saque - Sidão (Sesi)

Ataque - Wallace (Sesi)

Bloqueio - Acácio (Cruzeiro)

Levantador - William Arjona (Cruzeiro)

Recepção - Murilo (Sesi)

Defesa - Serginho (Sesi)

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