Andy Wong/AP
Andy Wong/AP

Fabiana Murer é prata no Mundial 7 anos após frustração em Pequim

Brasileira dá volta por cima no palco da decepção olímpica

Estadão Conteúdo

26 Agosto 2015 | 10h21

Sete anos após perder sua vara na final dos Jogos de Pequim, numa das maiores frustrações da história do esporte olímpico brasileiro, Fabiana Murer deu a volta por cima no mesmo palco. Nesta quarta-feira, numa final de altíssimo nível, a veterana de 34 anos igualou o recorde sul-americano, de 4,85m, para faturar a prata no salto com vara no Campeonato Mundial disputado no Ninho do Pássaro. O ouro só não veio porque a cubana Yarisley Silva, sempre ela, superou o sarrafo a 4,90m na última tentativa.

Assim como aconteceu nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, e também na edição de Toronto, este ano, a prata de Fabiana não deixa gosto amargo. Afinal, a "derrota" foi para uma atleta melhor e que, como poucas, consegue encontrar forças para se superar. Nas três ocasiões, a brasileira ficou atrás da cubana por cinco centímetros. Em Pequim, elas vão ao pódio junto com a grega Nikoleta Kyriakopoulou, que saltou 4,80.

Com a prata, Fabiana chega a sua segunda medalha em seis participações em Mundiais - isso sem contar o ouro no Mundial Indoor de 2010. Ela tinha 24 anos quando foi à competição pela primeira vez, para saltar 4,40m em Helsinque, em 2005. A brasileira entrou no grupo das melhores do mundo em 2007, em Osaka, quando ficou em sexto. Foi quinta colocada em Berlim (2009) e finalmente conquistou o título em Daegu, em 2011, com um salto de 4,85m. Em Moscou, há dois anos, amargou mais um quinto lugar.

Fabiana, entretanto, saiu-se muito bem nas últimas duas temporadas. No ano passado, particularmente ruim para o salto com vara feminino, só ela saltou mais alto do que 4,71m e liderou o ranking mundial com 4,80m.

Nesta temporada, já havia passado o sarrafo a 4,80m em duas oportunidades, mas viu duas das suas mais fortes rivais chegarem à melhor fase das respectivas carreiras. Isso vale para Yarisley, Nikoleta e a russa Sidorova, que falhou no Mundial. Só a norte-americana Jennifer Suhr, quarta colocada, não bateu seu recorde pessoal em 2015.

A prata de Fabiana ameniza, mas não apaga a péssima campanha do Brasil no Mundial de Atletismo até aqui. Em Moscou, o País fez sete "finais" (classificações entre os oito primeiros da prova). Em Pequim, por enquanto, só Fabiana Murer e Caio Bonfim, sexto na marcha atlética 20km, conseguiram tal feito após cinco dias de competições. E ótimas oportunidades já foram perdidas no salto em distância feminino, salto com vara masculino, maratona masculina e arremesso de peso masculino e feminino.

A PROVA

A brasileira entrou na disputa já com o sarrafo a 4,50m, marca que superou na primeira tentativa. Também foi direto em 4,60m e 4,70m. Só esses resultados já garantiram o bronze a Fabiana. Mas ela, Yarisley e Nikoleta passaram também 4,80m. A grega, na primeira tentativa. A brasileira e a cubana, na segunda.

Quando o sarrafo chegou a 4,85m, o pódio estava definido, faltava só definir a ordem. Yarisley Silva, que estava em terceiro, foi a primeira a saltar, acertou, e assumiu a liderança. Fabiana veio em seguida. Chegou a tocar o sarrafo, mas não o derrubou. Pelos critérios de desempate, manteve-se à frente da cubana.

Nikoleta, que até então liderava, não chegou a concluir o primeiro salto a 4,85m. Em terceiro, abdicou das outras duas tentativas para ir direto a 4,90m, para voltar à briga pelo ouro. Só que aí o sarrafo ficou muito alto demais. Só a russa Ysinbayeva (várias vezes), a norte-americana Jennifer Suhr (quatro vezes) e a cubana Yarisley (uma vez 4,90m, outra 4,91m) superaram essa marca na história. Fabiana não conseguiu, Nikoleta não conseguiu, mas Yarisley passou, na última tentativa. A brasileira ainda teve mais um salto, no qual não obteve sucesso.

A final do salto com vara teve ainda outra brasileira. Angélica Bengtsson, bicampeã mundial júnior (2010 e 2012), ficou na quarta colocação, batendo o recorde nacional da Suécia: 4,70m. Ela é filha de mãe brasileira, mas optou por competir pela pátria do pai, uma vez que é nascida e criada na Suécia.

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