Shelda: favoritismo é das americanas

O Brasil disputa duas medalhas de ouro no torneio de vôlei de praia dos Jogos Olímpicos de Atenas. A dupla Adriana Behar e Shelda enfrenta as norte-americanas Wash e May, nesta terça-feira, às 15 horas (horário de Brasília), no Centro de Vôlei de Praia de Faliro. Ricardo e Emanuel jogam pelo título quarta-feira, no mesmo horário. Adriana e Shelda, bicampeãs mundiais e pentacampeãs do Circuito Mundial não querem nem ouvir falar em favoritismo após a decepção de Sydney, em 2000, quando ficaram com a prata. Já Emanuel nem respondeu à pergunta sobre se a medalha de prata já é um bom resultado. "Esse é o momento mais importante da nossa carreira", disse. Hoje, Adriana Behar e Shelda derrotaram as australianas Cook e Sanderson por 2 sets a 0 (21/17 e 21/16), abrindo o programa da noite em Atenas. Shelda deixou a quadra, elétrica, falando alto, elogiando a companheira, mas irritada com qualquer cobrança por medalha de ouro. "Estou superfeliz, mas nada acabou ainda. Essa final vai ser muito difícil e o favoritismo é todo das americanas. Hoje elas vivem um melhor momento", assegurou a brasileira. Questionada sobre se estaria tirando o favoritismo das costas da dupla por causa do que ocorreu em Sydney, Shelda respondeu com energia: "Em Sydney éramos totalmente favoritas, hoje não somos, mas se os Deuses estiverem soprando a nosso favor... Numa competição como essa tudo tem de conspirar a seu favor." As americanas Wash e May derrotaram as compatriotas McPeak e Youngs por 2 a 0 (21/18 e 21/15). A dupla formada em 2001 é uma das mais consistentes, ganhando 13 etapas do Circuito Mundial nos últimos três anos. Também foram campeãs do circuito em 2002. Wash e May já enfrentaram as brasileiras 20 vezes, vencendo 13. Maturidade - Ricardo e Emanuel, que formam dupla desde o fim da temporada de 2002, são hoje, basicamente, jogadores amadurecidos para enfrentar uma final olímpica. Ricardo chegou a pensar na Olimpíada passada quando se classificou para a final, confessou - foi medalha de prata em dupla com Zé Marco em Sydney. Hoje, a dupla precisou ir ao tie-breaker para ficar com a vaga na decisão do ouro por 2 sets a 1 (21/14, 21/19 e 15/12) contra Heuscher e Kobel, da Suíça. Os adversários da final serão os espanhóis Bosma e Herrera que derrotaram os australianos Prosser e Williams por 2 a 0 (21/18 e 21/18). "Sabemos da dificuldade. Perdemos para eles na China, sabemos a força que têm, mas vamos tomar um cuidado muito grande. Sabemos também que é diferente jogar uma etapa do Circuito e a final olímpica." Para Ricardo, já não há mais novidades num torneio olímpico, mas Emanuel deixou a quadra muito emocionado com a classificação. Após o último ponto, de bloqueio, pulou no colo de Ricardo, uma parceria formada no fim da temporada de 2002. "Ele me deu um abraço tão forte que eu fiquei sem voz. Conseguimos ir a uma final olímpica, foi o que eu disse." Emanuel afirmou que "quer aproveitar muito a sensação de estar na final", descansar e se preparar para quarta-feira Em relação a 1996 e 2000, quando fez parcerias com Zé Marco e Loiola, respectivamente, e caiu nas oitavas-de-final, observou que está mais amadurecido. "Agora não penso em ganhar, mas penso, principalmente em jogar bem porque o resultado aparece."

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