Show do Brasil com 10 x 0 sobre Equador é arma contra os EUA

Teve drible de lambreta, duplolençol, bola entre as pernas e gols de voleio e cobertura. Semter do outro do lado do campo uma equipe que pudesserepresentar qualquer risco, a seleção de futebol feminino doBrasil aproveitou a goleada de 10 x 0 sobre o Equador paraimpressionar a torcida e mandar um recado às norte-americanas. Marta e Cristiane trataram de levar a equipe com enormetranquilidade às semifinais dos Jogos Pan-Americanos marcandoquatro gols cada uma na goleada desta quarta-feira. O famoso"vira em cinco acaba em 10" foi cumprido à risca. Daniela Alvese Pretinha completaram o marcador. Mais uma vez diante de um bom público para o futebolfeminino no Estádio João Havelange, as meninas garantem não terse preocupado em dar espetáculo, mas reconhecem que o placarelástico e os lances de efeito são a melhor forma de atrairmais prestígio para a modalidade. A meia-atacante Marta, eleita a melhor jogadora do mundo em2006 pela Fifa e responsável por vários dribles desconcertantesdurante o jogo, acrescentou: "Acho que nós não fizemos paraaparecer, foram lances da partida mesmo. Mas o público gostamais quando dá para sair uma jogada diferente." A lateral-esquerda Rosana, autora de um impecável chapéu delambreta sobre uma equatoriana Ligia Moreira no primeiro tempoconcorda. "O público gosta de um futebol não só bonito, mastambém eficiente, a torcida gosta de ver jogo com muitos gols efoi isso que fizemos. Espero que sirva para chamar atenção parao nosso esporte." Quando Rosana levantou a torcida com a jogada, marcaregistrada do astro do futsal Falcão, o placar já marcava 5 x 0para a seleção brasileira, incluindo um gol de voleio da meiaDaniela Alves. No segundo etapa, a atacante Cristiane viu KátiaCilene no meio da área e tentou cruzar da intermediária, mas ochute saiu torto e acabou encobrindo a goleira Carla Wray.Golaço. GOLEADA HISTÓRICA O 10 x 0 da seleção era a maior goleada do Pan até oencerramento do jogo entre Canadá e Jamaica, vencido pelascanadenses por 11 x 1, também nesta terça. Brasil e Canadádefinem o primeiro lugar da chave na sexta-feira, em partidaque será disputada no Maracanã. Mas a atenção da equipe está mesmo voltada para a seleçãonorte-americana, que apesar de ser formada por jogadoras de até20 anos representam a maior ameaça à medalha de ouro do Brasil. "Isso (goleada) assusta muito, elas vão ver que o Brasilnão veio passear", disse Cristiane, que considerou seu primeirogol no jogo, de cabeça, mais bonito do que o de cobertura. Comos quatro marcados nesta terça, ela chega aos seis gols nacompetição. Marta previu que as norte-americanas terão um respeitomaior com as brasileiras na esperada final do Pan. O jogo éencarado pelo Brasil como uma revanche da final da Olimpíada deAtenas, em 2004, apesar das norte-americanas não terem vindocom o time principal. "Creio que elas não vão querer sair de frente com a gente,com certeza elas devem estar estudando a nossa equipe", afirmouMarta. A partida contra o Equador foi a despedida da seleçãofeminina do Engenhão. A partir de agora, a equipe terá comopalco o Maracanã, estádio maior não só nas arquibancadas, mastambém nas dimensões do gramado. Para o treinador JorgeBarcellos, o espaço maior para trabalhar as jogadas serápositivo para o time brasileiro. O treinador acrescentou ainda que as prováveis condiçõesruins do gramado, que ficou muito danificado após a cerimôniado abertura do Pan, na sexta-feira, não poderia servir depretexto para diminuir o favoritismo das brasileiras. "O nosso objetivo é chegar à final e conquistar a medalhade ouro, e não vamos poupar esforços para isso. Vamos passarpelo o que for necessário para alcançarmos este objetivo",afirmou.

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