Show na quarta, vacilo no domingo

Boleiros

Paulo Calçade, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2009 | 00h00

Um empate diante do Grêmio, em dezembro de 2007, remeteu o Corinthians para a Série B, um passaporte para o inferno, resultado dos erros dentro e fora do campo. A vida longe da elite serviu para recuperar e fortalecer uma instituição doente, a ponto de a derrota por 3 a 0, ontem, no mesmo fatídico Estádio Olímpico, não alterar um milímetro sequer a história do retorno à Primeira Divisão, confirmada com os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Mas com a vaga garantida na Libertadores, uma enorme interrogação paira agora sobre o time de Mano Menezes: até que ponto Ronaldo e cia. vão jogar para valer o Brasileiro? Contra o Fluminense, na quarta-feira, foi uma moleza, bastou um tempo para superar a fraca equipe de Parreira, cujos erros abasteceram uma sensacional atuação do camisa 9 corintiano. Contra o Grêmio, o time não entrou em campo, não existiu. A partir dos jogos decisivos do Paulista, o Corinthians definiu um comportamento. Com Ronaldo e Jorge Henrique inseridos na equipe, surgiu um futebol muito bem estruturado pelos lados do campo, parecido aos times europeus, com marcação forte e construção de jogadas de gol. Funcionou tão bem que, salvo alguma contusão, hoje todos conhecem a escalação de Mano. Esse é um dos símbolos do sucesso de um grupo solidário e aplicado taticamente. Agora é que começam os problemas. Ontem, no Olímpico, além da ausência de Chicão e William, a dupla de zaga titular, não houve aplicação tática. O Corinthians foi só teoria, pois na prática mais parecia o time do segundo tempo contra o Fluminense: cansado, lento e desinteressado. Os discursos estão afinados, jogadores e treinador falam em disputar o título brasileiro. O Grêmio não tinha nada com isso, mas sabia quem estava enfrentando e o que deveria fazer para derrotar o campeão da Copa do Brasil. Os dois primeiros gols foram construídos no lado direito corintiano pelo meia Tcheco, dono de expressiva atuação. Mano escalou Jorge Henrique, o tático, o multifuncional jogador corintiano, por aquele setor para abafar o apoio do lateral Fábio Santos. E o que se viu foi uma equipe apenas correndo atrás do adversário, com atacante, lateral e volante perdidos no meio do caminho. Para quem enxerga a marcação como um sistema complexo, que vai além de uma atuação individual, percebeu a dimensão da falha coletiva, além da importância de Tcheco e Souza no jogo que Paulo Autuori agora procura fazer funcionar no 4-4-2. O Grêmio foi seguro, forte na marcação e decisivo diante da inconsistência de Diego e Jean, que abandonou o time ainda no primeiro tempo, expulso infantilmente. Era o fim da linha para o Corinthians. Não é estranho um time experimentar queda de rendimento após partidas desgastantes que o conduziram a títulos. Anormal será vê-lo desinteressado pelo Brasileiro, hipótese na qual não acredito. A grande ameaça, entretanto, está no mercado, principalmente o europeu, que poderá retirar jogadores importantes do Corinthians. Basta ver o que acontece quando os titulares da zaga acompanham a partida de casa, pela televisão. Com a vaga da Libertadores garantida, dependendo dos negócios, o Brasileiro vai servir para reconstruir a equipe para o ano que vem. A grande ameaça, no entanto, é quando o mercado voltar a se abrir em janeiro. Se perder jogadores nesse período, o impacto atingirá o sonho: a competição internacional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.