Showman, Gabriel, 17 anos, é aposta do surfe brasileiro

Atuações e resultados impressionantes fazem do jovem paulista uma grata revelação, que pode brilhar na elite mundial

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Quando alguém pergunta o que Gabriel Medina deseja do surfe, o jovem de 17 anos é direto e surpreendente: "Só penso em me divertir". A revelação de São Sebastião é o brasileiro que mais entretém o público apaixonado pelo surfe. Alia a diversão aos bons resultados. É impossível assistir a uma de suas baterias no Hang Loose Pro, nesta semana, em Fernando de Noronha, sem sair com a certeza de que naquele corpanzil de adolescente está o futuro do esporte do Brasil.

Desde que se tornou o campeão mundial sub-18, na Nova Zelândia, no início do ano passado, as atuações impressionantes do jovem viraram comentário obrigatório nos bastidores dos grandes eventos - conquistou o evento simplesmente com uma nota 10 e outra 9,9.

Ganhou o apelido de Superman por voar alto com sua prancha. E os maiores surfistas do planeta já se perguntam: quando o fenômeno Gabriel Medina estará na elite mundial?

Se depender do garoto paulista, criado nas ondas de Maresias, não vai demorar muito. Seus resultados no circuito profissional já impressionam - conquistou a etapa de seis estrelas da Praia Mole, em Florianópolis, com vitória sobre o veterano local Neco Padaratz. "É minha grande meta para esta temporada: conseguir um lugar entre os 34 melhores surfistas do mundo", diz o garoto com o mesmo sorriso que tinha no rosto ao afirmar que pega onda para se divertir.

A expectativa não deixa o garoto pressionado. Muito pelo contrário: dá confiança. "Procuro encarar tudo com normalidade. Tem sido bem legal, minhas fotos saem em revistas, o pessoal elogia, mas não me sinto pressionado por ninguém", conta Medina, que não alivia nas manobras.

Em Fernando de Noronha, onde a especialidade são os tubos, o jovem tem se destacado por também encaixar manobras aéreas. Coitados dos adversários. "Preciso arriscar, né? Tenho o lema de me divertir, e fazer essas manobras faz parte disso." Vê-se que funciona.

Gabriel tem duas grandes inspirações na carreira: o pai e o australiano Mick Fanning, bicampeão mundial. O primeiro o ensinou a surfar e desde os oito anos o incentiva quando está em casa, em Maresias, ou mesmo nas viagens pelo circuito mundial. "Ele me acompanha na maioria das viagens. É bom porque não me sinto tão sozinho nem quando estou do outro lado do mundo."

Já a paixão por Fanning alia um misto de tino para o marketing - Medina tem o mesmo patrocinador do australiano e, no surfe, os atletas realmente "vestem a camisa", pois o dinheiro dos contratos são bem maiores que os das premiações de campeonatos - a um estilo em comum. "O Mick representa a nova geração do surfe mundial. Ele possui tudo o que eu gostaria de conquistar no esporte: um estilo agressivo e também títulos mundiais."

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