Silas critica time do Fla e Jean responde: 'Lamentável'

Relacionamento entre técnico e jogadores fica cada vez pior e diretor de futebol Zico diz que é impossível falar de futuro

Leonardo Maia / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

A cada insucesso em campo, a cada decisão estranha, o tempo de Silas no Flamengo parece estar se aproximando do fim. Depois de mais um tropeço no Campeonato Brasileiro, desta vez o empate nos acréscimos com o Goiás (empate por 1 a 1), em confronto direto e importantíssimo contra o rebaixamento, aumentou a pressão nos corredores da Gávea e sobre os ombros de Zico por uma mudança no comando do time da Gávea.

Silas tem apenas nove jogos como técnico rubro-negro, mas a solitária vitória no período (contra o Grêmio Prudente, em jogo que perdia até os minutos finais) e os cinco empates e três derrotas não mostram uma evolução no trabalho.

Ontem, ainda em Goiânia, antes de retornar ao Rio, Zico, diretor executivo de futebol, aceitou falar sobre o tema. Suas palavras mostram que não haverá muita paciência com o treinador, que deve ter sua última chance no clássico contra o Botafogo, no sábado, a partir da 18h30.

"O planejamento segue normalmente. Futebol é dia a dia, não posso prever o que vai acontecer amanhã", disse Zico, sem querer se comprometer com apoio ao técnico. "Está todo mundo trabalhando para que o Flamengo saia dessa situação."

O clima entre Silas e o grupo está muito deteriorado, principalmente depois das declarações do ex-jogador ao fim do confronto com os goianos. Ao adotar postura defensiva, escorregou nas próprias desculpas ao ser perguntado sobre as críticas das arquibancadas.

"Eu não faço gol contra, não chuto a gol. Não fui vaiado. Mas se o Zico não está gostando do trabalho, tem de perguntar isso para ele. Fast food só tem no McDonald"s", disse o ex-meia, que repetidas vezes tem se queixado do pouco tempo para treinar a equipe entre partidas.

Tal declaração do técnico, uma clara imputação da responsabilidade sobre os ombros dos jogadores, não repercutiu bem no grupo rubro-negro, que começa a dar sinais de falta de sintonia com seu comandante. O zagueiro Jean, autor do gol contra a favor dos goianos, também foi duro ao criticar o chefe.

"Isso é lamentável. Em momento algum o treinador pode expor um jogador dessa forma. Não é uma situação bacana. O jogador tem dois segundos para decidir. Já o treinador tem dois ou três dias antes da partida, às vezes até uma semana e erra mais do que o atleta em campo. Nunca fui amigo de treinador. Apenas cumpro ordens e será assim daqui para frente se ele continuar, o que acredito que vai acontecer", comentou o defensor, no desembarque do time, ontem, no Rio.

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