Silêncio da campeã

A gente já sabe que os resultados dos testes da pré-temporada não costumam revelar o nível de preparação com que as equipes iniciam o Mundial, mas todo fã da Fórmula 1 aguarda com ansiedade o dia de ver carro novo na pista. E esta primeira sessão de quatro dias que terminou agora no circuito de Jerez de La Frontera pode não ter sido tão importante para Red Bull, McLaren e Ferrari, mas para a Lotus-Renault foi animador ver Romain Grosjean marcando o melhor tempo da semana entre os que treinaram com carros novos. Os tempos de Nico Rosberg e Michael Schumacher não devem ser considerados porque a Mercedes treinou com o carro de 2011 apenas para conhecer os novos pneus da Pirelli e pôr seus pilotos para trabalhar. O carro do ano passado, velho conhecido da equipe, não dá problema. É botar gasolina e acelerar.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h08

Carro novo é que costuma dar problema quando vai para a pista pela primeira vez. Mas o novo modelo E20 da Lotus andou 940 quilômetros com Grosjean e 850 com Raikkonen sem causar nenhum susto aos técnicos, deixou os comandantes da equipe entusiasmados e chamou a atenção de rivais. É a bola da vez, como no ano passado era o carro da Toro Rosso, que acabou não confirmando a expectativa quando o campeonato começou. Isso também é comum acontecer na pré-temporada. Mas tudo indica que o E20 é, de fato, um carro bem-nascido, o que torna fácil encontrar o caminho que leva o carro a evoluir ao longo do Mundial.

Na primeira vez que um carro novo vai para a pista, o objetivo prioritário é verificar a eficiência aerodinâmica através da velocidade em reta. É o que vai mostrar, na prática, se estava correta a avaliação feita no túnel de vento. Isso sempre teve a sua importância no decorrer da história, mas na F-1 dos últimos anos, cada vez com mais restrições técnicas em diferentes áreas, a aerodinâmica é tudo. Um carro mecanicamente razoável pode evoluir com as mudanças que forem feitas durante o ano. Mas se ele não tiver um bom desempenho aerodinâmico desde o nascimento, não vai funcionar.

O público espanhol, com saudade da F-1 e querendo ver Fernando Alonso em uma Ferrari melhor que as dos dois últimos anos, apareceu. Mas não viu o que esperava. A Ferrari tem motivos para se preocupar. Felipe Massa treinou nos dois primeiros dias (726 quilômetros) e Fernando Alonso (469), nos dois seguintes e os tempos não eram bons até o último dia, quando Alonso botou pouca gasolina e pneus macios para conseguir o segundo melhor tempo da semana.

Bruno Senna nunca teve chance de treinar numa pré-temporada. Desta vez aproveitou a chance e foi o piloto que mais andou. Com 125 voltas em cada um dos dias em que teve o carro em mãos, Bruno somou 1.107 quilômetros.

Na primeira experiência ficou 135 milésimos acima do tempo que o companheiro Pastor Maldonado tinha feito no dia anterior, mas encerrou a semana bem mais veloz, com o 15.º da semana, incluindo os dois modelos antigos da Mercedes, que fizeram o primeiro (Rosberg) e o terceiro (Schumacher) melhores tempos na soma dos quatro dias. A Red Bull andou em 5.º e 6.º, mas está quieta demais, e este silêncio é o que preocupa as rivais.

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