Silêncio é tática alvinegra para não acirrar rivalidade

Ninguém quer repetir erros de 2008, quando atletas falaram demais e perderam a final

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

O Corinthians não quer repetir os erros de 2008 na Copa do Brasil. Na temporada passada, quando o título escapou para o Sport, na final, a equipe de Mano Menezes provocava demais os adversários. Diante do Internacional, hoje, no Pacaembu, no primeiro jogo da decisão, a ordem é repetir a tática de "boca fechada" de todo o torneio, diante de um adversário de rivalidade acirrada nos últimos anos, e até mesmo na história.Em 1976, por exemplo, os dois se enfrentaram na final do Brasileiro, vencida pelo Inter, em jogo único, no Beira-Rio, e com muita reclamação dos corintianos sobre o tratamento recebido no estádio. Os gaúchos venceram por 2 a 0.Em 2005, ficou no ar a polêmica dos jogos remarcados no Brasileiro, no qual o Alvinegro acabou se beneficiando e terminando três pontos à frente do adversário. Sem contar um pênalti do goleiro corintiano Fábio Costa em Tinga, não anotado no empate por 1 a 1 do Pacaembu. Os gaúchos consideraram-se campeões e deram até volta olímpica em Porto Alegre. O "troco" viria em 2007. A derrota na rodada decisiva, por 2 a 1 para o Goiás, culminou no rebaixamento do Corinthians no Brasileiro. Os corintianos acusaram alguns colorados de fazer corpo mole no Serra Dourada."Falei no calor na partida. No Internacional todos são profissionais e aquilo não aconteceu", minimizou o goleiro Felipe, presente no ano do rebaixamento.O camisa 1, vivendo bom momento, é o maior adepto da "boca fechada" no Parque São Jorge. "É melhor falar menos e trabalhar mais, pois tudo que vinha falando virava polêmica", afirmou, em sua única coletiva na temporada, semana passada, na qual se diz na expectativa de bons jogos com os gaúchos."Não adianta querer ficar falando em rivalidade, em briga. O título será definido dentro de campo, com 11 jogadores de cada lado, e isso é o que importa", endossou o volante Cristian.Em 2008, ninguém no Parque São Jorge admitia "levar desaforo para casa". Foram discussões com o Goiás, o Botafogo e o Sport. Agora, a vida corintiana é no famoso "temos de respeitar o adversário", "vai ser um grande jogo" ou "eles são os favoritos." Até Ronaldo Fenômeno se rendeu e fez questão de enumerar as qualidades gaúchas.Se a tática vai dar certo, só o tempo dirá. Até lá, porém, é certo que ninguém no Corinthians vai querer polêmica.

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