Wolfgang Rattay/Reuters
Wolfgang Rattay/Reuters

Simone Biles soma recordes e faz vencer campeonatos parecer uma tarefa fácil

Ginasta dominou o último Campeonato Nacional dos EUA e pouca gente se surpreendeu

Victor Mather, The New York Times, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 20h00

Apesar de poucos e incomuns erros, que ela atribuiu a um excesso de força e adrenalina, Simone Biles, de 24 anos, acrescentou ao seus recordes o sétimo título americano, em Fort Worth, Texas. Simone venceu três das quatro competições, mesmo deixando guardados alguns de seus melhores truques, incluindo um salto tão avançado tecnicamente que outras ginastas nem tentam realizar.

“É muito emocionante, especialmente por ir pela segunda vez à Olimpíada; é uma loucura mesmo”, afirmou Simone, que venceu todos os torneios de ginástica intermodalidades de que participou desde que começou a competir, em 2013. “Tem sido muito divertido”, acrescentou ela, “mas também é muito estressante”.

A seguir, o que o evento revelou a respeito de Simone, de outras ginastas de alto nível e da Olimpíada que começa em pouco mais de seis semanas. Simone ainda é a melhor ginasta do mundo.

Simone domina o mundo da ginástica há oito anos. Mas em razão dela e de todas as outras ginastas terem ficado quase totalmente paradas durante a pandemia, sempre haveria dúvidas a respeito de seu desempenho quando ela retornasse aos principais eventos.

Mas Simone não deixou dúvidas no campeonato americano, vencendo na pontuação geral por uma confortável margem de 4,7 pontos. Ela venceu em três das quatro modalidades e ficou em terceiro lugar nas barras assimétricas.

Simone teve melhor desempenho no segundo dia da competição, outro bom sinal. No primeiro dia, ela pisou fora do tablado três vezes durante a apresentação de solo. No segundo dia, só uma vez.

“É tão doido isso, porque no treino eu nunca piso fora do tablado e não tenho tanta força”, disse Simone a repórteres. “Mas com a adrenalina, aí que ela vem.”

Simone poderá se sair ainda melhor na Olimpíada. O salto Yurchenko com duplo mortal carpado, que tirou o fôlego dos espectadores do U.S. Classic, no mês passado, não foi apresentado por Simone. Ela inicia o movimento com uma acrobacia de costas e, depois que ganha impulso, gira o corpo duas vezes no ar, em posição carpada, antes de tocar o chão. O salto é tão difícil tecnicamente - e, por este motivo, potencialmente perigoso - que nenhuma outra ginasta jamais tentou realizá-lo em uma competição.

Em vez desse, Simone realizou dois saltos mais comuns, pelo menos para ela, chamados Cheng e Amanar. Há expectativa para que a ginasta tente novamente o salto Yurchenko com duplo mortal carpado durante os Jogos.

Na Olimpíada do Rio, Simone conquistou quatro das seis medalhas de ouro possíveis na ginástica feminina, perdendo somente nas barras assimétricas e na trave. É provável que ela melhore esse desempenho nos Jogos de Tóquio.

Mesmo antes das classificatórias olímpicas de ginástica feminina nos EUA, a equipe do país está tomando forma. Sunisa Lee e Jordan Chiles ficaram respectivamente em segundo e terceiro lugar no campeonato americano, bem à frente do pelotão seguinte, mas quase cinco pontos atrás de Simone, em um esporte que mede o desempenho das atletas em centésimos de ponto. Lee e Chiles parecem fortes candidatas para a equipe americana de quatro mulheres da ginástica feminina na Olimpíada. Apesar de estar se recuperando de uma lesão no tornozelo, Lee venceu nas barras assimétricas, o que fez dela a única ginasta a superar Simone em alguma modalidade.

As duas ginastas mais bem colocadas nas classificatórias americanas, que serão realizadas entre 24 e 27 de junho, estarão automaticamente classificadas para os Jogos, mas a Federação de Ginástica dos EUA tem liberdade para escolher o restante da equipe. É difícil agora projetar um cenário em que Sunisa e Jordan ficariam de fora, exceto em razão de eventuais lesões.

Jade Carey, que ficou em sexto lugar no campeonato nacional, já conquistou lugar como competidora individual em Tóquio, mas não na equipe de quatro ginastas do time americano.

Alguns nomes conhecidos poderão não se classificar para competir em Tóquio. Depois dos campeonatos, 18 ginastas foram indicadas para a equipe nacional dos EUA e ganharam lugar nas classificatórias. Mas algumas atletas conhecidas não figuram entre esses nomes. Laurie Hernandez, de 20 anos, parte do time de 2016, se machucou durante um aquecimento e não competiu. Chellsie Memmel, que integrou a equipe de 2008, mãe de dois que está tentando retornar ao esporte aos 32 anos, parou no meio uma apresentação nas barras assimétricas, depois de sua mão escorregar, e não competiu no solo. Morgan Hurd, de 19 anos, ex-campeã mundial intermodalidades, teve mau desempenho nas duas categorias em que competiu./TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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