Neto, jfneto@estadao.com.br, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2009 | 00h00

Bom, pessoal, queria dizer nesta segunda-feira que após 213 colunas escritas em pouco mais de 4 anos chega ao fim meu ciclo no Estadão. E ele vem com profundos e sinceros agradecimentos a uma casa que deu liberdade de opinião o tempo inteiro. Nunca fui questionado de absolutamente nada. E olha que de vez em quando confesso que cometo alguns exageros, hein? Meu crescimento profissional foi enriquecedor. Portanto, nestas últimas e derradeiras palavras queria mudar um pouco o contexto. Gostaria de fazer um exercício de memória. Uma verdadeira retrospectiva desse período. Para se ter uma ideia, na primeira vez que escrevi para o jornal, no dia 1º de janeiro de 2005, defendia o fim dos mandatos eternos de alguns presidentes de clubes. E não é que o Dualib largou o osso no Corinthians e o Mustafá no Palmeiras? Não é que depois de muito custo o Eurico passou a bola para o Dinamite? Só faltou o Marcelo Teixeira no Santos e o Ricardo Teixeira na CBF. Mas esse último pelo visto vai demorar, né? Nas duas primeiras temporadas como colunista também fiz severas críticas ao trabalho do até então técnico da seleção Carlos Alberto Parreira. Achava que muito jogador tinha cadeira cativa no time sem merecer. Sem jogar bola no alto nível que a seleção mereceria. E deu no que deu, né? Estive na Copa da Alemanha e vi de perto o fiasco da equipe verde-amarela. Um bando desmotivado que parecia estar lá de favor. Achavam-se astros de rock e esqueceram de jogar bola. Acompanhei também o acerto da parceria ridícula entre o Corinthians e a MSI. Um contrato que desde o início deixei claro ser prejudicial ao clube. Em minhas palavras publicadas em 9 de julho de 2005 já pedia a renúncia do Sr. Alberto Dualib e a volta do tal Kia Joorabchian ao país dele. Pra falar a verdade nem sabia de onde ele vinha. O que tinha certeza é de que a empresa dele era um "miguezão" danado. Apesar da forma conturbada, o Timão até conquistou o Brasileiro daquele ano. Formou um grupo de garotos promissores que tinha no argentino Tevez a referência em campo. Mas no fim das contas, quando a picaretagem estourou, muitos deles foram negociados, o Corinthians caiu de divisão e o Kia fugiu. Quase tudo deu errado. A várzea só não foi completa porque ao menos o presidente octogenário pediu o boné e se arrancou. Nesses quatro anos elogiei tanto o São Paulo que cansei. Nesse tempo o Tricolor levantou a taça de um Paulistão, uma Libertadores, um Mundial e três Brasileiros. Falar o quê? Exemplo a ser seguido. Afinal, com o grande goleiro que tem e o excelente treinador fica difícil competir, né? Critiquei por várias vezes questões relacionadas à Lei Pelé, que tem deixado os clubes do interior cada vez mais quebrados; o inchaço e o balcão de negócios em que se transformou a tradicional Copa São Paulo de Juniores; falei por diversas vezes do excesso de peso do Ronaldo - espero de todo meu coração que isso se resolva agora no Corinthians; meti o pau também no trabalho equivocado das categorias de base dos clubes brasileiros, que têm formado muito volante cabeçudo em vez de privilegiar a técnica. Aliás, isso se comprova na carência de jogadores que vestem a camisa 10 no Brasil. Retornando ao presente vou torcer pelo engrandecimento do futebol brasileiro em 2009. A volta do Ronaldo pode ser sinal de que as coisas estão mudando. Quero ver um Paulistão forte e disputado. Um Brasileirão melhor do que o do ano passado. Uma temporada inesquecível. Assim como a turma de Antero Greco me proporcionou. Obrigado Gilson Vilhena, André Frederico, Eduardo Maluf, Wilson Baldini Jr., Vinícius Saponara, Almir Leite, Adriano Araújo, Milton Pazzi Jr. e Valéria Zukeran!!! Foram quatro anos incríveis. COLABOROU RENATO NALESSO

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