Só Alonso pode errar

O GP de Cingapura é um que não traz boas lembranças para o brasileiro. É o quinto ano deste GP, que trouxe a novidade de uma corrida noturna, mas no seu ano de estreia, 2008, teve ocorrências que encerraram a carreira de Nelsinho Piquet na F-1 e prejudicaram Felipe Massa na briga pelo título contra Lewis Hamilton.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h09

No caso de Nelsinho, ele teve culpa e assume. Faltou pulso para não aceitar a imposição do então chefe da Renault, Flavio Briatore, que o obrigou a bater de propósito, como parte de um plano diabólico para beneficiar Fernando Alonso em meio às pressões que sofria da Renault por conta dos maus resultados.

O plano de Briatore começou com um surpreendente pit stop de Alonso logo na 12.ª volta. Nelsinho tinha a incumbência de bater na volta 13, de forma a provocar a entrada do Safety Car na volta 14. Aproveitando-se da presença do SC, os pilotos começaram a entrar no box e Alonso foi ganhando posições.

No caso de Felipe Massa, ele foi apenas vítima. Na volta 17 entrou no box para o seu pit stop. Tendo largado na pole position e liderando a corrida com 4s548 de vantagem para Lewis Hamilton, bastava um pit stop normal para ele seguir com todas as chances de vencer ou, no mínimo, chegar à frente de Hamilton. Mas a parada de Massa foi um desastre. Liberado antes de terminar o reabastecimento, ele saiu do box com a mangueira de combustível enroscada no bocal do tanque.

Aquela operação desastrada custaria a Massa a conquista do título. Quando chegaram a Cingapura, Hamilton tinha 78 pontos e Massa, 77. Felipe saiu de lá com os mesmos 77. Hamilton terminou em terceiro e chegou a 84. Nas corridas seguintes, Hamilton ficaria no zero no Japão com Massa, em 7.º, fazendo 2 pontos. Na China Hamilton venceu e Felipe foi 2.º. Os dois chegaram ao Brasil com uma vantagem de 7 pontos a favor de Hamilton (94 a 87). Massa venceu em Interlagos, alcançando 97. Hamilton chegou em 5.º marcando os 4 pontos que precisava para vencer o campeonato com 98.

De volta à briga pelo campeonato, da qual esteve ausente em 2011, Hamilton enfrenta uma situação que, por enquanto, não é tão favorável a ele. Alonso tem 37 pontos de vantagem e uma regularidade impressionante no ano (só não marcou ponto quando Grosjean e o próprio Hamilton passaram por cima dele na largada da Bélgica).

Porém, é a McLaren que tem o carro mais eficiente, e em qualquer tipo de pista. Venceu as três últimas corridas em circuitos com diferentes características (Hungaroring, Spa e Monza) e sempre andou bem em Cingapura graças a um bom desempenho com alta pressão aerodinâmica e o motor Mercedes, que conquistou as seis melhores marcas entre os 11 primeiros colocados no treino de ontem.

Alonso tem razão para temer o bom carro da McLaren e ainda conhece, melhor do que ninguém, as qualidades de Hamilton. Mas também conhece os defeitos do inglês. Um deles é a inconstância. Por exemplo, nas últimas sete provas venceu três, mas passou três sem marcar, além de um 8.º lugar. Daqui para a frente, nenhum dos que ainda sonham com o título podem passar uma corrida no zero. Só Alonso ainda tem esse direito.

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