Só para maiores

No clássico do cansaço santista contra a inconsistência corintiana, o favorito é Neymar. O homem dos gols decisivos, marcou nas duas finais de títulos do Santos em 2010. No último jogo do Paulistão, contra o Santo André, fez dois. Na primeira partida das finais da Copa do Brasil, contra o Vitória, abriu o marcador.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Aos 17, em 2009, fez gol na semifinal contra o Palmeiras de Luxemburgo.

Não há muitos jogadores na história famosos por tantos gols em finais, antes de completar 20 anos. Maradona não pertence a essa lista. Pelé e Coutinho, sim.

"Eu tinha 15 anos!"", lembra o parceiro mais famoso do Rei, sobre a decisão do Rio-São Paulo de 1959. O Santos venceu o Vasco por 3 x 0, um de Pelé, dois de Coutinho, cujo aniversário de 16 anos aconteceria um mês depois.

É impossível dizer com certeza o que faz um jogador crescer no jogo do título. Pode acontecer hoje com Bruno César, Liedson, Dentinho... Mas a história aponta o dedo para Neymar.

Em comum com Coutinho, Neymar teve a infância entre os gigantes. "Ele estava no infantil e jogava com os juvenis. Era juvenil e atuava com os juniores"", diz Lima, o curinga da Vila, primeiro treinador do garoto nos infantis.

Coutinho vivia em Piracicaba, tinha 12 anos e enfrentava os adultos. Mudou-se para Santos, tinha 15, assistia a um treino no alambrado, e o técnico Lula mandou que entrasse em campo para substituir o ponta Alfredinho, num coletivo. Arrasou!

"Isso pode ser uma explicação, sim"", concorda Coutinho.

O currículo do parceiro do Rei tem gols decisivos nas finais de duas Libertadores, dois Mundiais e todas as Taças Brasil entre 1961 e 1965, ou no primeiro ou no segundo jogo decisivo.

Semana passada, sem Alessandro suspenso, Tite escalou um zagueiro para marcá-lo. Neymar não decidiu, mas bateu na trave... duas vezes!

A explicação para vários talentos de divisões de base não se firmarem nos times de cima é, em vários clubes, de que chegam à idade adulta mimados por técnicos, dirigentes e empresários, com altos salários e carros do ano. Neymar não foge a essa regra, ganha bem e tem de tudo desde os 14 anos. Mas, em campo, teve de virar homem cedo. Criado contra os maiores, todo jogo era um desafio como o de hoje, contra o Corinthians.

O novo Tite. O técnico do Corinthians lembrou a seus jogadores, no início da semana, da final da Copa do Brasil de 2001. Era técnico do Grêmio, empatou por 2 x 2 em casa e precisava vencer no Morumbi para ser campeão. Ficou com a taça.

Trata-se do episódio lembrado aqui há duas semanas, em que Tite entregou um envelope a cada jogador na entrada do vestiário, com bilhetes e relatos de familiares sobre suas conquistas. "Todo mundo chorava no vestiário"", diz o campeão do mundo Zinho, campeão naquele dia.

Tite não usará esse tipo de estratégia hoje. Não acredita mais nisso. "''O tempo passa, as pessoas mudam. Hoje, ele acredita muito mais em palestras que tratem propriamente do jogo"", diz seu assistente, Cléber Xavier.

É também a estratégia de Muricy. "Suas preleções sempre trataram mais da parte tática. Raras vezes, ele usou vídeos e, mesmo assim, para ilustrar situações do jogo"", conta Marco Aurélio Cunha, com quem Muricy trabalhou no São Paulo.

É possível que as velhas palestras motivacionais continuem fazendo efeito e ganhando jogos. Mas não ganharão o Paulistão. Nesse caso, vencerá a qualidade dos jogadores e as orientações puramente táticas.

Infiel. As obras do Fielzão começam nesta semana. Aleluia! Chegam com a notícia de que o estado de São Paulo não será sede da Copa das Confederações. Cabe ao governo estadual se pronunciar a respeito. Dizer o que pensa da decisão da Fifa e dizer como espera que o Corinthians consiga recursos próprios para levantar o estádio, cujo orçamento pode chegar a R$ 1 bi para atender às exigências de Blatter.

Cuidado. Falcão explicou a derrota para o Grêmio de maneira brilhante, semana passada. Se seu Inter perder hoje, de novo, precisa cuidar para não se tornar o melhor comentarista do Brasil. Logo agora que virou técnico!

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