Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Só uma chance

No meio da semana, Felipão lamentou que o regulamento do Campeonato Gaúcho previsse partida única nas quartas de final. O técnico criticou a norma, depois de ver o Grêmio passar sufoco diante do Novo Hamburgo e obter a classificação nos pênaltis, pois o tempo normal terminara com empate de 1 a 1. "Qual a vantagem de fazer melhor campanha?", questionou. "A de jogar em casa? Só essa?!"

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2015 | 02h04

Só, Felipão, nada além disso, embora seja melhor do que atuar fora. Detalhe importante, que raros cartolas notam na hora de avalizarem as regras da competição. Como provavelmente não perceberam os dirigentes paulistas, já que o mesmo item apontará, neste domingo, os outros dois semifinalistas do Estadual daqui.

Santos e Palmeiras fizeram campanhas superiores às de XV de Piracicaba e Botafogo, adversários que terão pela frente num domingo que promete ser movimentado. Por isso, um jogará à tarde, na Vila Belmiro, e o outro comandará a sessão matinal, no novo Palestra. Empate vale para os dois grandes? Coisa nenhuma. Placar igual significa que a sorte será definida nos pênaltis. E assim foi sacramentado pela FPF, quem sabe, num rasgo de generosidade para dar chance a simpáticos e tradicionais participantes do Paulistão?

O risco, portanto, é dos mandantes. A dupla Marcelo Fernandes/Serginho Chulapa não tem ideia do tempo que permanecerá no comando do Santos. Mas, com a experiência acumulada no futebol, sabe que o prazo de interinidade pode ser encurtado ou estendido a depender do comportamento da equipe a partir de agora, nesses confrontos com eliminação direta, só "mata".

O Santos vive situação curiosa. Começou a temporada local sem grandes pretensões, após a saída de vários jogadores. À medida que as rodadas se sucediam e as vitórias apareciam, passou a mostrar pretensão maior. Tanto que a direção se preocupou com desgaste do treinador anterior (Enderson Moreira) e fez a troca para não perder o prumo, pois via risco de ruptura.

Marcelo e Serginho carregam a responsabilidade de levar o time à final, já que o torneio doméstico virou especialidade santista nestes anos 2000. Ainda mais que topam com o XV, o pior dos classificados. Não há como negar favoritismo, principalmente se funcionar o quarteto Lucas Lima, Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira. Dois jovens e dois veteranos que ditam o ritmo da equipe, criam e concluem a maior parte das ações de gol. Gabriel "Gabigol" continua como alternativa.

Robinho e Ricardo Oliveira chamaram a responsabilidade para si, nesta fase de reconstrução. O primeiro, com jogadas importantes; o atacante, com gols e a comprovar que não estava acabado. Lucas Lima, um pouco à sombra, se torna o regente, aquele que "pensa" e distribui o jogo. Sem o brilho de Ganso do auge, mas com eficiência.

O Santos tem o Paulistão como laboratório para a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. O título reforçará a autoestima de quem largou em desvantagem, ao menos na teoria, na comparação com São Paulo, Corinthians e Palmeiras. O primeiro teste forte será nesta tarde.

O raciocínio se ajusta ao Palmeiras, com a diferença de que, ao contrário do Santos, criou-se enorme expectativa de sucesso pela enxurrada de contratações da dobradinha Paulo Nobre/Alexandre Matos. Veio gente de tudo quanto foi lugar, fora a meia dúzia de bons jogadores remanescentes do elenco de 2014.

Oswaldo de Oliveira não se ilude e tem noção da firme cobrança por resultados convincentes na hora em que o Paulistão vale de fato. Não lhe resta opção a não ser a de partir para o ataque contra o ajustado Botafogo. Como indício de que não brinca em serviço, o treinador alviverde manteve a base com a qual trabalha desde o início do ano, o que significa dar força a quem está em ritmo forte. Coerente, portanto, a decisão de colocar Valdivia no banco, como trunfo. O mesmo vale para Cleiton Xavier, só agora liberado. São duas boas cartas na manga. Sorte de Oswaldo.

Tudo o que sabemos sobre:
Antero GrecoO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.