Sob inspiração de Popó, boxe busca ouro que não vê desde 1963

Sob a inspiração de Acelino"Popó" de Freitas, que acompanha os atletas, o boxe brasileiroentra sexta-feira nos ringues em busca de uma medalha de ouroque não conquista desde o Pan-Americano de 1963, realizado emSão Paulo. Medalha de prata no Pan de Mar del Plata, em 1995, Popó foiconvidado pelo Comitê Olímpico Brasileiro para incentivar osatletas e funcionar como um embaixador da equipe, assim como ocampeoníssimo Teófilo Stevenson faz com a equipe cubana. "Popó se dá bem com todos e passa a sua experiência. Suapresença junto à equipe é muito positiva", disse Otílio Toledo,chefe da equipe brasileira. Campeão mundial dos superpenas e dos leves, Popó é fonte deinspiração para vários pugilistas. O mosca-ligeiro PauloCarvalho, da Bahia, entrou para o boxe por admirar oconterrâneo campeão, e o peso galo James Dean Pereira, doMaranhão, diz que Popó é seu exemplo de vida. "Tenho tirado muitas fotos com ele", conta o peso leveÉverton Lopes, baiano de Salvador. "Com 11 anos fui ver elelutar na Fonte Nova, e comecei a dar soco em torneios de ruadepois disso", acrescenta. TALENTOS PERDIDOS Os pugilistas da equipe brasileira têm em comum com Popó amesma trajetória. Todos são de origem humilde e buscam no boxetambém uma forma de ascensão social. Para o esporte brasileiro,a falta de estrutura do boxe no país faz com que muitostalentos se percam pelo caminho. "Temos perdido muita gente promissora porque não podemosformá-las", lamenta o chefe da equipe brasileira. "Conheci umgrupo grande de meninos, de 15, 16 anos, que competiu noMundial de cadetes, e só um está aqui agora", acrescentouOtílio, referindo-se a Éverton Lopes, que antes do boxe lavoucarros e foi peão de obra. "Só continuei no boxe porque tenho apoio do meu professor eda prefeitura de Salvador", diz Éverton, em mais uma referênciaa Popó, que é secretário de Esportes da capital baiana. Para Otílio Toledo, só "a paixão e o orgulho de representaro Brasil" explicam a permanência de alguns atletas no boxe. É ocaso do super-pesado Rogério Correia, o Minotouro, que tem umacarreira no vale-tudo e lutou até no Japão. "Sonho em ganhar mais títulos no boxe e ultimamente tenhome dedicado mais a ele", diz Rogério, campeão brasileiro damodalidade. Ele também pratica jiu-jitsu e luta greco-romana. Além de voltar a disputar um Pan no país, a equipebrasileira conta com um trunfo, que pode soar curioso para umesporte com pouca tradição de medalhas: a experiência. "A maioria da nossa equipe está no segundo ciclo olímpico,enquanto a maior parte dos adversários está no primeiro. Temosessa vantagem, aliada a uma participação internacionalrazoável", avaliou Otílio Toledo. Cubano há 10 anos radicado no Brasil, Otílio acha que os 11integrantes da equipe brasileira têm condições de disputarmedalhas, inclusive de ouro. "Tudo depende de quem eles irão enfrentar. Tem lutador queganha de todos e só perde de um. Se só encontrar esseadversário na final é no mínimo prata. Se não encontrar, podeser ouro", afirmou.

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