Giorgio Benvenuti/Reuters
Giorgio Benvenuti/Reuters

Soberano na Ferrari, Alonso faz até mágica

Piloto dá show em evento promovido pela equipe italiana e mostra que tem absoluto domínio da situação

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Por detrás daquela desenvoltura, como um experiente mágico e apresentador de shows, no palco, diante de representantes da imprensa de várias nações e integrantes da Ferrari, Fernando Alonso demonstrou mais uma vez, sexta-feira à noite, sua imensa habilidade em converter o grupo de trabalho a seu favor. Em palavras bem objetivas: o espanhol tem a Ferrari nas mãos.

No jantar de despedida da 21.ª edição do Wrooom, evento promovido pela Ferrari em Madonna di Campiglio, nos Alpes italianos, de repente o DJ interrompeu a animada música que embalava a maioria. Ao mesmo tempo, luzes se concentraram num palco localizado no meio do salão onde cerca de 300 pessoas, entre convidados e profissionais do time italiano, se reuniam. Ninguém menos que Fernando Alonso assume o microfone.

Falando em italiano fluente, chama a seu lado a bela Roberta Vallorosi, para espanto geral. "Ela trabalhou com Valentino Rossi e agora é a minha assessora de imprensa. Gostaria de convidar, também, outra pessoa." A maioria pensou tratar-se de Felipe Massa, seu companheiro de equipe. "Valentino Rossi, por favor, venha." Não foi a vez de Massa. A dicção, espontaneidade, segurança, retórica e presença de palco de Alonso hipnotizavam todos. Quem poderia imaginar um piloto 1 se expor em público como um profissional?

O staff inteiro da Ferrari presente se entreolhava, espantado. "Roberta, abra esse saquinho, sabe o que é? É isso mesmo, uma camisinha." A jornalista não escondeu o constrangimento. "Agora assopre até ela ficar cheia", solicitou Alonso, rindo, como os demais. Roberta já estava roxa."Não tive uma ideia melhor, era só isso mesmo", afirmou o espanhol, para gargalhada geral.

Um ursinho de pelúcia, de dimensões generosas, entra em cena, junto de um baralho, apresentados pelo mágico. Alonso pede a Roberta e Rossi que escolham uma carta. Seu domínio de atenção contagia a plateia. Massa, com os amigos, apenas assistia a tudo também. Depois da carta escolhida, Alonso solicitou a Roberta e Rossi que a colocassem com as demais no baralho. Lacra-o com um arame desses de fechar saco plástico.

Na sequência, retira da sua bolsa, que mais lembra o batcinto de Batman, por possuir de tudo, uma luva descartável e pede para Roberta vesti-la. O pedido agora é para que ela e Rossi encontrem a carta escolhida secretamente. Para espanto dos dois, não está mais no baralho onde deixaram há instantes. Rossi não se conforma. "Como é possível?" Alonso lhe mostra um lado desconhecido. O maior piloto de motos da história sabia da competência de Alonso nas pistas, mas essa de conquistar a todos psicologicamente, nesse nível, era novidade.

O espanhol toma o singelo ursinho e diz a Roberta, ao lado de Rossi: "Coloque a mão com a luva no bumbum do ursinho. Procure que há um buraco, sim." Sem acreditar no que está passando, como muita gente presente, Roberta atende mais uma vez, com a ajuda de Rossi. "Você sentirá que há algo dentro." Roberta confirma. "Retire, por favor", diz Alonso, com voz empostada. "É a carta!", grita Rossi. A carta escolhida por ele e Roberta é o 2 de Copa. Aplausos estrondosos, assobios, gritos de admiração...

Alonso agradece a todos com classe. A mesma classe que demonstra nas pistas e que o levou vencer dois campeonatos mundiais. E a mesma classe que utiliza para hipnotizar os que trabalham ao seu redor para convergirem sua atenção a seu favor. Afinal ele é infalível, como piloto, mágico, comunicador, comediante, motivador... Hoje já está, estrategicamente, em Maranello, sede da Ferrari, para trabalhar.

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