Ernesto Rodrigues e Werther Santana/AE
Ernesto Rodrigues e Werther Santana/AE

Sobra talento, falta maturidade

Neymar, do Santos, e Lucas, do São Paulo, mostraram que precisam controlar os nervos para seguir brilhando

BRUNO DEIRO, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2011 | 00h00

Duas das principais apostas do País para a Copa de 2014 tiveram uma espécie de batismo de fogo nesta semana. Lucas, do São Paulo, cedeu à marcação individual no duelo com o Santa Cruz e, provocado, foi expulso, embora injustamente. O santista Neymar, mais experiente, se deixou levar por brincadeira infantil após marcar um golaço e também levou o vermelho contra o Colo Colo. Nos dois episódios, faltou maturidade a garotos que já despertam a cobiça de clubes europeus.

Os técnicos das duas promessas reconheceram que os jovens, apesar da badalação, ainda têm coisas a aprender. "A expulsão do Neymar não foi questão de cabeça fria ou quente. Ele tinha acabado de fazer o gol e não estava de cabeça quente. Foi desconhecimento de regra, tenho certeza de que, se ele soubesse, não teria feito", disse o então interino Marcelo Martelotte, do Santos, antes de concluir. "Mas o jogador é obrigado a saber, não pode prejudicar a equipe por desconhecimento da regra."

O presidente santista Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, a exemplo de casos anteriores envolvendo Neymar, preferiu amenizar a atitude. "O Neymar não levantou a camisa ou mostrou alguma mensagem. (A expulsão) Foi um desserviço ao futebol", disse o dirigente.

No São Paulo, Carpegiani apontou excessiva violência do volante Éverton Sena, do Santa Cruz, na marcação a Lucas, mas reconheceu que o meia terá de lidar com isso. "É importante que ele saiba que isso ainda vai acontecer muito na carreira", disse o treinador. "É muito difícil você receber marcação dura, às vezes desleal, e aguentar calado. Ele estava desolado no vestiário."

Após a primeira expulsão como profissional, Lucas teve de ser contido para não reclamar de forma agressiva com o juiz, que viu cotovelada do são-paulino sobre o marcador. "Acredito que foi um desabafo pelo que sofreu nos dois jogos", disse Dagoberto. Para Carpegiani, o descontrole foi justificável. "Ele não partiu para cima do árbitro. Queria apenas explicar que tomou uma cotovelada e não revidou."

Pressão. Segundo o psicólogo do esporte João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, a habilidade de Lucas não basta para que ele consiga sair da marcação cada vez mais cerrada dos adversários. "Lidar com a expectativa da mídia e da torcida, que sempre aguardam jogadas geniais, não é tarefa simples. Os rivais, cientes desta vulnerabilidade emocional, provocam os jovens craques tentando, desta forma, desequilibrá-los. Em quase todos os casos, infelizmente, têm sucesso."

Para Cozac, além de acompanhamento psicológico, é importante a ajuda dos companheiros mais rodados. "O papel dos líderes e dos atletas mais experientes é o de conversar, orientar, tentar passar um pouco da malandragem que aprenderam."

No caso de Neymar, que nos últimos jogos tem aprendido a lidar com provocações, a atitude de pôr uma máscara no rosto prejudicou a equipe de forma desnecessária. "O Neymar não pode ser transformado em anjo, pois isto certamente aniquilaria seu futebol. Mas é preciso orientar o garoto sobre os benefícios que terá caso entenda melhor os limites que deve encarar dentro e fora das quatro linhas", afirma Cozac.

Responsável pela ação de marketing na Vila Belmiro, a empresa de telefonia que patrocina Neymar diz que não teve participação no episódio. O santista recebeu a máscara do meia Róbson, que não foi para o jogo.

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