Sobreviver à primeira fase, o maior desafio dos Bafana

Sobreviver à primeira fase, o maior desafio dos Bafana

A África do Sul, com time fraco, luta para não ser o primeiro anfitrião da histórias dos Mundiais a ser eliminado de cara

Almir Leite, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

A seleção da África do Sul corre contra o tempo na tentativa de fazer campanha digna na Copa do Mundo da qual é anfitriã. A equipe é considerada a mais fraca das representantes do continente na competição ? as outras são Nigéria, Gana, Camarões, Costa do Marfim e Argélia. Além disso, os dirigentes mudaram (ou retomaram) o rumo há menos de seis meses, quando chamaram Carlos Alberto Parreira de volta, após a demissão de Joel Santana.

Para recuperar ao menos parte do tempo perdido, Parreira planejou então os três longos períodos de treinamentos que têm como objetivo aprimorar a preparação física e técnica dos jogadores e dar "rodagem"" a eles. O treinador procura dar uma cara ao time, mas tem problemas.

O principal deles é o fato de não contar com os melhores atletas, que, por atuarem no futebol europeu, não foram liberados para os treinos feitos em fevereiro na África do Sul e nem para a fase de testes no Brasil. Eles deverão integrar-se ao grupo no período a ser passado na Alemanha, no mês de maio.

Estão nesse caso, entre outros, o meia-atacante Pienaar, do Everton (ING); o meia Sibaya, do Rubin Kazan (RUS); o zagueiro Mokoena e o atacante McCarthy, ambos também no futebol inglês, jogando por Portsmouth e West Ham, respectivamente.

Parreira, porém, diz que pelo menos 15 dos 29 atletas que trouxe para o Brasil farão parte do grupo da Copa e se mostra satisfeito com os resultados. "Nosso trabalho vai se estender por três meses. Até lá, teremos uma cara. E em maio contaremos com os jogadores que atuam no exterior, que são os mais experientes.""

O grupo em que caiu na Copa é muito difícil para a África do Sul ? os adversários são México, França e Uruguai. Apesar disso, atletas como Pienaar não acham impossível os Bafana seguirem em frente, atendendo, assim, às expectativas da torcida (leia na pág. E5). "A chave para avançarmos à segunda fase é a força mental do nosso elenco"", considera.

Além do apoio da torcida, que, no entanto, pode se tornar um complicador caso os jogadores sintam-se pressionados. "Não podemos nos deixar atingir pela pressão"", diz o atleta do Everton, que dá a receita do sucesso. "Precisamos jogar como equipe, cada um dando o máximo de si.""

Detalhe que falta. Um dos principais problemas da África do Sul é a falta de aptidão de seus atacantes. Fazer gol, algo que certa vez Parreira definiu como "um detalhe"" ? quis dizer que, se as jogadas ofensivas forem trabalhadas com eficiência e constância, o gol acabará saindo ?, é difícil para os jogadores de frente da equipe do país organizador do Mundial.

Com a futura presença do objetivo Pienaar e do veterano goleador McCarthy, reintegrado à seleção após ser banido nos tempos de Joel Santana por indisciplina, é possível que a eficiência do ataque melhore. McCarthy deve fazer dupla com Mphela na frente, com Pienaar atuando mais como meia-ofensivo.

Mas a defesa também precisa de acertos, pois falta talento e um senso de colocação mais apurado aos jogadores do setor.

Mesmo com tantas dificuldades, a África do Sul tem um desafio pela frente: não ser o primeiro anfitrião na história das Copas a ser eliminado na fase inicial.

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