Sociedade organizadora da Volta da França pede mudanças

Presidente da entidade, Patrice Clerc, reclama e quer sáida dos responsáveis da União Ciclista Internacional

28 de julho de 2007 | 16h40

O presidente da sociedade organizadora da Volta da França, Patrice Clerc, pediu neste sábado a saída dos responsáveis da União Ciclista Internacional (UCI) e uma mudança total no modo de atuação do ciclismo. Clerc culpou a UCI pelo ambiente de crise vivido na atual edição do Tour, acusando os dirigentes de incompetência e de querer prejudicar a prova. Em mais um episódio de sua declarada guerra ao irlandês Pat McQuaid, presidente da UCI, o responsável pelo Tour acusou o dirigente de "falta de clareza, transparência, profissionalismo e inconsistência". "De qualquer forma, sua única saída é deixar o cargo, pois eles querem prejudicar o Tour", afirmou Clerc, explicando que o objetivo não é romper laços com as autoridades esportivas, mas com os atuais dirigentes à frente da UCI. O Tour culpa a UCI por não ter avisado que o dinamarquês Michael Rasmussen tinha escapado de dois exames antidoping surpresa antes do início da prova - motivo pelo qual o ciclista foi excluído pela equipe Rabobank quando vestia a camisa amarela de líder. Além disso, há reclamações de que o positivo do alemão Patrik Sinkewitz num controle anterior ao início do Tour foi anunciado tarde demais, o que permitiu que ele largasse. "Tudo isto poderia ter sido evitado. Estamos irritados com as carências e omissões da UCI", disse Clerc, que não quer que o Tour volte a ficar marcado pelos casos de doping. Para isso, ele pede uma ampla reforma do ciclismo, sem a presença dos dirigentes da UCI. Clerc disse que fará nos próximos meses uma reunião com todos que buscam mudanças no esporte, e que as conclusões deste encontro serão anunciadas em outubro, durante a cerimônia de apresentação da próxima edição da prova. "Já temos algumas idéias, como a introdução de um passaporte para corredores, equipes e outras pessoas que integram o Tour que será um selo de qualidade", disse. Segundo o dirigente, a Agência Mundial Antidoping (AMA) é a organização mais indicada para comandar a luta contra o doping no ciclismo. Além dos responsáveis da UCI, Clerc criticou os ciclistas que mancham a imagem da prova - uma "minoria", segundo suas palavras - e os médicos que fornecem medicamentos para o doping. Já o diretor do Tour, Christian Prudhomme, afirmou se sentir "traído" pela UCI, que tinha lhe prometido que lutaria totalmente pelo doping. "Não devemos confundir a UCI com algumas pessoas que tomaram o poder e que o exercem de forma incompetente, ou que queiram prejudicar o Tour", disse Prudhomme.

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