Sócio da CBF é suspeito de manipular sede da Copa

Empresa ligada a Teixeira estaria envolvida na compra de votos para a eleição da Fifa e a escolha da Copa de 2022

JAMIL CHADE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2013 | 02h06

O representante da empresa que detém todos os direitos sobre a seleção brasileira até 2022, a ISE, faz parte da lista dos empresários suspeitos de envolvimento com os escândalos da compra de votos para a eleição na Fifa e para a escolha da Copa do Mundo de 2022 no Catar.

O primeiro contrato assinado pela ISE com a CBF é datado de 2006. Em 2011, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ampliaria o contrato até 2022. O cartola nunca escondeu que votou pelo Catar para sediar a Copa de 2022.

Um dos contratos obtidos pelo Estado com exclusividade sobre as relações comerciais dos amistosos do Brasil revela que a pessoa que assinava em nome da ISE era Moheydin Kamel. Seu endereço: uma simples caixa postal em George Town, no paraíso fiscal das ilhas Cayman.

Mas Mohyedin Kamel não seria apenas o gerente da ISE, e sim um dos cabeças de um império no Oriente Médio. Desde 2010, ele teria ocupado a posição de vice CEO da Dallah Albaraka, empresa fundada em Riad por Sheikh Saleh Kamel e que hoje tem investimentos em 40 países, emprega mais de 60 mil pessoas e é a quinta maior empresa da Arábia Saudita. A informação é do site da Albaraka.

Já num outro informe da consultoria PriceWaterhouse Coopers (PwC), a respeito de uma suspeita de pagamento de propinas no futebol, o nome de Mohyendin Kamel e da própria ISE também aparecem como os principais responsáveis.

A auditoria indicou que a ISE era suspeita de ter pago, em uma operação de lavagem de dinheiro, US$ 14 milhões a Mohamed Bin Hammam, ex-candidato para a presidência da Fifa e que foi suspenso do futebol por denúncias de que tentou comprar votos das federações.

Bin Hammam, do Catar, teve o apoio de Ricardo Teixeira na votação para a Fifa e, nos últimos anos, a relação entre os dois ganhou novas dimensões. O Brasil disputou jogos no Catar e Teixeira ainda votou pelo país árabe para sediar a Copa de 2022, numa das decisões mais polêmicas da Fifa e que voltam a ser alvo de suspeitas. Num e-mail vazado para a imprensa, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, criticava o fato de o Catar ter "comprado" a Copa.

No momento da auditoria, Bin Hammam era ainda o presidente da Confederação Asiática de Futebol e foi justamente a avaliação realizada na entidade que revelou as transferências suspeitas entre a ISE e o cartola.

A auditoria preparada pela PwC constatou que US$ 2 milhões pagos pela ISE em 2008 foram para o uso pessoal de Hammam. Além disso, a empresa Al Baraka Investment - empresa relacionada à ISE - pagou mais US$ 12 milhões para Bin Hammam.

O que gerou a suspeita é de que o dinheiro transferido entre essas empresas e Bin Hammam passou pelas contas da Confederação Asiática. "É altamente incomum que recursos, que aparentemente eram de benefício pessoal do Sr. Bin Hammam, fossem depositados a uma conta bancária de uma organização", indicou a auditoria, vista pelo Estado.

"Diante das recentes alegações que cercam Sr. Hammam, é nossa avaliação que há um significativo de que a AFC (Confederação Asiática) tenha sido usada como um veículo para lavar recursos e que esses recursos foram creditados ao ex-presidente para um uso indevido", indicou a auditoria. "Nossas investigações indicam que o sr. Kamel, o vice-CEO do Grupo Dallah Al-Baraka, pode ter sido (de 2005 a 2009) o gerente da ISE", constatou a PwC,

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