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Sofredor de verdade

Lembra do bordão "corintiano sofredor, graças a Deus", que muitos ainda insistem em usar? Esqueça. Isso é passado, coisa fora de moda e tem sucessor. O fiel faz tempo vive na bem-aventurança das conquistas alvinegras, está de ressaca de tanto festejar taças, uma atrás da outra. Até a Libertadores ele tem, e já fica de olho no segundo Mundial!

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h06

O torcedor que agora perde o sono, se descabela e se desespera pelos vexames do time de coração é o palmeirense. Imagino o quanto seja difícil, hoje em dia, aguentar o tranco das decepções provocadas pela turma que veste a camisa (nem sempre) verde. No Brasileiro, então, é surra atrás de surra. Ou sova, coça, pescoção, dura, cachação, sopapo. Tem para todo gosto, basta escolher.

Os 3 a 0 para a Portuguesa, na noite de anteontem, no Canindé, dispararam as sirenes no Palmeiras. A rapaziada de Felipão se comportou, sobretudo no segundo tempo, como um grupo que se candidata à Série B. Futebol frágil, sem ousadia, desarticulado, tenso. Um horror! A equipe agiu como nos piores momentos do Paulista e do início da competição nacional, que pareciam soterrados com o título da Copa do Brasil.

As contusões influenciam na queda de desempenho. Um elenco modesto paga preço salgado, se tiver baixa de 10, 11 jogadores ao mesmo tempo. Não tem nem como montar banco de reservas. Ok, mas a dúvida é inevitável: a enfermaria ficou lotada só por obra do imponderável? Ou teve falha de planejamento?

Comissão técnica, dirigentes e fãs também podem alegar que erros sistemáticos de arbitragem pesam. Concordo, o Palmeiras sofre além da conta com as lambanças do apito. Os pontos subtraídos por equívocos fazem falta enorme. Mas não servem de desculpa. Outros têm do que se queixar, nesse aspecto; no entanto, não estão na zona de descenso.

O Palmeiras que tinha renascido com a campanha redentora na Copa do Brasil regrediu. Por questão de justiça, reconheça-se que em várias das 12 derrotas jogou bem - como no clássico com o Santos, no fim de semana, quando criou chances de gol, ficou à frente, incomodou. Só que ruiu ao levar a virada.

O "jogar bem" servia de consolo até dois dias atrás. O torcedor notou o óbvio: o time apanha demais e demora a reagir. Se tecnicamente não é grande coisa, a força de vontade compensava. Por isso, avançou na Copa do Brasil e se garantiu na Libertadores de 2013.

Agora, também o aspecto psicológico o Palmeiras desmorona. Os nervos de vários viraram mingau. Ainda há tempo para a salvação, mas os sinais de recuperação devem vir logo.

O momento é de moderação e de união de forças palestrinas; as fofocas e as cornetas só vão afundar mais a tropa. Com ou sem salvação, porém, será necessária rapa daqueles. Sobretudo dos profissionais que negaram fogo e se omitiram nas crises.

São Paulo renasce. A vitória sobre o Botafogo deixou o São Paulo a um passo de entrar no bloco principal do Brasileiro. O time de Ney Franco não tem meios-termos: são 11 vitórias, 1 empate e 8 derrotas. Essa oscilação não o levou ao topo, assim como não o colocou na parte de baixo da classificação. Com Jadson, Luis Fabiano e Lucas em fase muito boa, não é exagero sonhar, neste momento, com vaga na Libertadores. A briga pelo título está mais difícil, pelo ritmo que Atlético-MG, Flu e Grêmio têm apresentado. Se mantiver a toada das últimas rodadas, a turma tricolor vai incomodar. Imagine com Ganso, desde que inteiro e motivado? Pode dar samba.

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