''Somos melhores'', diz técnico jamaicano

Stephen Francis é um senhor gordinho e simpático. Ontem à noite acompanhou de perto a festa de Usain Bolt com orgulho. É, afinal, um dos dois técnicos de atletismo mais conceituados e experientes da Jamaica. O outro é Glen Mills, o responsável pelo recordista. Francis treina Asafa Powell, também astro do país caribenho, que teve desempenho abaixo do esperado nos 100 metros em Pequim - terminou na quinta colocação.A imprensa o procurou para falar do esporte jamaicano e, claro, de Bolt. Já era início de madrugada na China quando Francis atendeu o Estado. Disse, um pouco tímido, que hoje ninguém bate seu país no atletismo."Acho que somos realmente os melhores", afirmou. "O atletismo vive de ciclos, os Estados Unidos dominaram por muito tempo, mas agora é nossa vez", prosseguiu. "Apesar da nossa estrutura, não acho que vamos ser os melhores por muito tempo, talvez mais uns cinco anos."Francis foi um dos que acompanharam a carreira do mais novo fenômeno da velocidade desde a infância. E, por isso, garantiu não estar surpreso com as medalhas de ouro e as quebras de recorde. "Desde os 14 ou 15 anos, o Bolt já mostrava potencial e fazia bons tempos", contou. "Ele era muito magro e sempre foi rápido."O treinador trabalha para a Utech (Universidade de Tecnologia), uma das principais de Kingston, que dá suporte às jovens promessas. É numa das pistas de lá que Powell corre. Bolt prefere usar o Estádio Nacional. "Temos muitos locais de treinamento e de formação de atletas e técnicos."DOPING?Os comentários de adversários de que é muito difícil a Jamaica ter evoluído tanto sem doping provoca irritação. "Seres humanos evoluem e, de vez em quando, surgem pessoas acima da média. O Bolt é uma delas, embora não seja imbatível", opinou. "Esse comentário parece inveja de quem não tem competência nem habilidade para vencer."

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