Sonho de garotos vira pesadelo na Praia Grande

Conselho Tutelar verifica condições precárias na casa onde vivem nove adolescentes trazidos por empresários

REJANE LIMA - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

SANTOS - Nove adolescentes que jogam nas categorias de base da Portuguesa Santista foram retirados da casa onde moravam em Praia Grande, na Baixada Santista, após o Conselho Tutelar verificar condições precárias de acomodação.

Sem energia elétrica, comida, camas suficientes e o acompanhamento de um maior de idade como responsável, os meninos de 16 e 17 anos que estavam em uma casa no bairro Aviação foram encaminhados para o abrigo da prefeitura.

"A gente percebe que são meninos bonzinhos, sem vícios, que falam o tempo todo do sonho de se tornarem jogadores famosos e ajudar a família. Eles disseram que estão lá por livre e espontânea vontade e a gente não sabe em que condições viviam nos seus estados, mas o local onde estão não tem a mínima condição. Têm problemas de higiene e alimentação. A geladeira e os armários estavam vazios, não tinha luz e nem local para todos dormirem", diz o Conselheiro Tutelar Carlos Eduardo Barbosa, afirmando que todos os jovens têm entre 16 e 17 anos, dois deles são do Espírito Santo, seis do Pará e um do Paraguai.

Segundo ele, os adolescentes estão há três meses na região e foram trazidos por "caça-talentos" que se tornaram seus empresários. "Esses empresários tem procuração para gerenciarem as carreiras dos jovens, mas não para serem responsáveis por eles e os artigos 82 e 250 do ECA diz que nenhuma criança pode ser hospedada em hotéis alojamentos sem autorização dos pais ou responsáveis", explica o conselheiro, afirmando que o Ministério Público já foi informado da situação e agora vai apurar também como esses jovens conseguiram ser matriculados em escolas estaduais da cidade sem a documentação correta.

Briosa se defende. Diretor Presidente da Briosa Empreendimentos Esportivos Ltda., empresa que administra as categorias de base da Portuguesa Santista, Fernando Cezar de Matos, confirma que os meninos são atletas Sub-17 da Portuguesa Santista, porém, afirma que o clube não tem como administrar o que acontece com seus atletas "do portão para fora".

"O que acontece com os jovens é responsabilidade dos seus pais. Eu enalteço a atuação do Conselho Tutelar em busca dessas informações, de que é possível que existam pessoas explorando jovens sonhadores, mas pelo que eu sei esses meninos estão com empresários sérios. Eles tomam café, almoçam, em restaurantes e mudaram para essa casa há pouco tempo", disse ele, afirmando que as procurações apresentadas para o ingresso dos jovens no clube estão de acordo com as exigidas pelas normas.

"Tem que trazer histórico escolar, Certidão de Nascimento e eles trouxeram tudo, mas não cabe à associação a responsabilidade do que acontece do portão para fora. Nossa responsabilidade é dar as condições de treino para esses meninos e todo mundo sabe que a base da Portuguesa Santista é um celeiro de craques", completou.

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