Sonho de voltar à seleção pesa na hora de optar pelo Corinthians

Apesar das recentes lesões e dos 32 anos, Ronaldo acha que ainda pode jogar mais uma Copa do Mundo

Anelso Paixão e Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2008 | 00h00

Ronaldo com saudade da bola não é novidade. Mas seu sonho vai bem além de voltar a defender grandes clubes, como tem enfatizado. A vontade de apresentar novamente futebol de alto nível, agora defendendo o Corinthians, além de mais uma vitória pessoal, é uma forma de convencer o técnico Dunga de que ainda tem condições de servir à seleção brasileira."Aqui vai mais um louco fazer parte do bando de loucos", disse o Fenômeno, empolgado, ontem, ao Jornal Nacional, da TV Globo, referindo-se a um dos cantos da Fiel. "O Corinthians tem um projeto fantástico e acreditou em mim, estou muito confiante num grande ano", prosseguiu. "Sou Flamengo de coração, mas fiquei quatro meses lá (treinando) e nunca recebi uma proposta."O presidente corintiano, Andrés Sanches, disse que a contratação é "um presente que a torcida merecia pelo que fez na Série B". "Trazer o Ronaldo não será importante apenas na parte técnica. Ele será importante para ajudar crianças de 3 a 4 anos que ainda não haviam escolhido um time a optar pelo Corinthians", prosseguiu o dirigente. "Vale a pena pagar um salário um pouco acima do teto do clube."VOLTA POR CIMARonaldo ficou frustrado com a eliminação da seleção na Copa da Alemanha, em 2006. A derrota para a França foi seu último jogo pela equipe nacional. Na época, quatro anos após brilhar e garantir o título no Japão, não achou justo despedir-se por baixo. Para pessoas próximas, o Fenômeno - maior artilheiro da história dos Mundiais, com 15 gols - admitiu que ainda sonha disputar a Copa da África do Sul, em 2010, para "apagar a má impressão de 2006." Seria seu quarto Mundial. "Ele é um craque e a seleção ainda precisa dele", ponderou o diretor técnico Antônio Carlos, que também ouviu, da boca do jogador, o desejo de defender a seleção. "Ele sabe que a visibilidade no Brasil é grande. E, jogando em São Paulo, é maior ainda."Desde que Dunga assumiu a seleção, com discurso de renovação no grupo que naufragou em 2006, Ronaldo esteve fora dos planos. De início, Adriano, Kaká e Ronaldinho, outros integrantes do quarteto mágico que teve fim de linha em Frankfurt, também foram preteridos. Com o tempo, o treinador viu que tinha de mudar conceitos. A volta dos "medalhões" era inevitável. Primeiro foi Kaká, depois Ronaldinho e, por último, Adriano. Vendo os amigos ainda nos planos da seleção, Ronaldo também sentiu que pode ter nova chance. Pelo menos fora de campo, o entrosamento com a nova turma de Dunga já começa a ser maior. Em setembro, o craque não resistiu. Antes do jogo da seleção contra a Bolívia, no Rio, foi ao hotel em que a equipe estava concentrada para desejar "boa sorte" aos ex-companheiros. Na visita, conversou bastante com Robinho, de quem ganhou elogios, e viu Luís Fabiano desejar seu retorno. Seria mais um dos vários retornos ao time canarinho. Antes da Copa de 2002, após passar longo tempo afastado dos campos por causa de cirurgias nos dois joelhos, Ronaldo chegou a ouvir de especialistas que estava acabado. Convenceu o então técnico Felipão do contrário e, naquele ano, encantou o mundo com muitos gols - foram oito no total, dois deles na decisão diante da Alemanha -, e bom futebol. COLABORARAM AMANDA ROMANELLI e DANIEL PIZA

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