Gabriela Biló/Estadão
Sophia Medina treina em Maresias Gabriela Biló/Estadão

Sophia Medina se inspira no irmão Gabriel para brilhar no surfe

Garota de 12 anos sonha repetir o feito do campeão mundial e já tem até um contrato de patrocínio para se dedicar à modalidade

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2017 | 17h02

Irmã do campeão mundial Gabriel Medina, Sophia já está dando suas primeiras batidas nas ondas e chama atenção pelo talento. Acabou de ser campeã brasileira sub-12 e recebeu elogios de alguns dos principais atletas do Circuito Mundial e nesta semana assinou seu primeiro contrato de patrocínio. O objetivo é repetir a façanha do irmão e chegar ao maior título da modalidade.

+ VÍDEO - A coleção de troféus de Gabriel Medina em seu Instituto

“Um dia quero ser campeã mundial. Me inspiro no meu irmão e tento pegar as coisas boas dele. Não sei se vou conseguir superá-lo, mas posso chegar lá”, afirmou a garota de 12 anos, em entrevista ao Estado na sede do Instituto Gabriel Medina, em Maresias, no litoral paulista, logo após um treino pela manhã.

“Eu venho cedo para o Instituto, aí fazemos natação, aula de inglês, atividade física funcional, curso de tecnologia e aula de surfe. Ficamos duas horas no mar. Aí à tarde eu vou para a escola”, conta Sophia, que já faz com o assessor Fábio Maradei o media training, curso voltado para lidar melhor com a imprensa. Ela mesma reconhece que é mais fácil surfar do que dar entrevistas.

“Minha vida mudou muito porque agora eu decidi de verdade que quero ser surfista. Mudei de escola para ficar melhor para o Instituto, mudei minha rotina, praticamente tudo”, conta, lembrando que também precisa aprender a se portar fora da água. “É bem difícil, mas cada atleta tem de fazer isso e se preparar. O Instituto ajuda, tem media training, isso me ajuda bastante para dar entrevista, para desenvolver, não precisa ser boa só dentro da água, mas fora também.”

Em casa, a família toda respira surfe, ainda mais depois da criação do Instituto que faz um projeto social de alto rendimento para a modalidade. Charles não é somente pai, é também técnico de Gabriel e de Sophia. Simone sempre que pode acompanha eles nas viagens das etapas. E o filho do meio, Filipe, não virou surfista, mas faz faculdade de educação física. Assim, o caminho em direção a ficar em cima da prancha foi quase inevitável para Sophia.

No momento que a menina pensava sobre o que gostaria de fazer, teve uma conversa com o pai, que explicou que não daria para conciliar o surfe com o futebol, sua outra paixão. Ele disse que ela poderia acabar se machucando se ficasse com as duas modalidades e que uma coisa não iria ajudar na outra, pois são esportes que trabalham músculos diferentes.

A decisão veio, ainda mais com a inspiração de Gabriel, que conquistou o título mundial em 2014, inédito para o Brasil, e é um dos surfistas mais famosos da atualidade. “Aprendo com ele a ter humildade, talento, determinação, foco, fé e várias coisas boas. Ele é goofy em cima da prancha e eu sou regular, mas tento me inspirar no estilo dele”, diz Sophia, que também tenta ser radical. “Eu completei dois aéreos há um mês e estou arriscando. É uma manobra diferente e acho que vão valorizar se eu completar um.”

Na quarta-feira, ela formalizou seu primeiro contrato profissional com a Rip Curl, que patrocina também Gabriel desde 2009. “Estamos firmando o primeiro contrato formal, que envolve pagamento em dinheiro, fora infraestrutura, roupas de borracha e roupas para se vestir adequadamente com os produtos da Rip Curl. Temos uma linha infantil e ela vai ajudar a levar a imagem da nossa marca e produtos. Estamos super felizes. É só o começo de uma longa empreitada”, explica Fernando González, gerente de marketing da Rip Curl no Brasil.

A empresa não revela quanto paga a seus atletas. “Não são valores ainda exuberantes. O que a gente oferece é muito mais uma condição para que ela possa acreditar que poderá viver do surfe no futuro. Ela vai administrar bem esses recursos para poder investir na carreira dela, desenvolver o inglês e ter a base bem sedimentada para uma carreira profissional”, continua o executivo, feliz da vida por patrocinar Sophia pelos próximos dois anos, até 31 de agosto de 2019.

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‘É muito legal ver minha irmã fazendo o que mais gosta’

Surfista Gabriel Medina fica feliz com a escolha de Sophia e reconhece a evolução dela no surfe

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2017 | 17h02

É muito legal ver minha irmã fazendo o que gosta. Não é porque sou surfista que ela tem de ser também. Ela ama o mar, passa o dia na água, então vê-la ganhando campeonatos e títulos que conquistou até antes de mim é muito bom. Acho que meu primeiro título veio quando eu tinha 15 ou 16 anos, e ela com 12 e já tem conquistas. É impressionante.

Eu me sinto orgulhoso, mais ainda pela evolução que ela tem tido. Do ano passado para cá, a Sophia evoluiu muito, isso dá para perceber.

A gente estava lá na Califórnia para uma etapa do Circuito Mundial, em Trestles, ela foi comigo e acabou surfando por lá também. Aí várias pessoas vieram comentar dela para mim: o Julian Wilson, a Carissa Moore, a Coco Ho, que são surfistas que ela admira e fica assistindo nos vídeos.

Acho isso muito bacana. Espero que minha irmã vá bem nos treinos no instituto e nas competições, e consiga seguir meus passos no surfe.

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Entrevista com Simone Medina, mãe de Sophia

Mãe de Sophia e Gabriel Medina fala sobre a escolha da filha pelo surfe

Entrevista com

Simone Medina

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2017 | 17h02

Você imaginava que ela iria escolher o surfe como caminho para trilhar no futuro?

Não. Eu achava que ela iria jogar futebol, porque a Sophia jogava muito e fazia parte de um time sendo a única menina. Quando ela começou a surfar e a competir, foi bem difícil a fase da escolha. Ela ficou bem impactada, mas no final escolheu o surfe. Pesou o amor pelo irmão na hora da escolha, a admiração por ele.

É possível comparar o talento dela com o do Gabriel quando tinha a mesma idade?

Não, até porque o surfe feminino é diferente, a questão do biotipo, dos hormônios. Cada um tem sua gana, seu talento, sua história. A Sophia é determinada e não sossega enquanto não executa uma manobra. Ela vai além, mas do jeito dela, com a personalidade dela. O importante é que os filhos sejam felizes no que fazem.

O processo que você teve com o Gabriel terá agora com a Sophia. É mais fácil?

É prazeroso igual. A relação é um pouco diferente dentro do esporte, as estratégias mudam. Lidar com uma menina é diferente de lidar com um menino. Como o Gabriel já nos deu uma experiência boa nesse processo, então fica um pouco mais fácil. A gente não vai errar no que já errou e vai melhorar no que já acertou. Eu acredito que é mais fácil.

Agora ela está recebendo patrocínio, vai ganhar o próprio dinheiro. Como lidar com isso em casa?

É super tranquilo. A Sophia é uma garota bem consciente, não é de ficar gastando, ela pensa que pode investir em viagens para ganhar experiência, ou seja, quer usar no trabalho dela. É um compromisso, pois ela assume responsabilidades com a marca. Desde muito novinha ela não teve problema nenhum em fazer isso e encarar como algo prazeroso. As marcas também são muito tranquilas com crianças dessa idade, tudo é bem compatível, não tem nada que agrida.

O Charles, alem de seu marido, é técnico deles. Você pretende viajar com eles para as competições?

Eu vou junto, não vou ficar sozinha. Eu já vivo esse lado, tenho isso no Instituto, vivo o mundo do surfe. É tranquilo viajar para lá e para cá, cada hora dormir num lugar, não tem problema nenhum. E quando não der para ir vou ficar torcendo pela internet. Eu já vivo isso com o Gabriel. Agora vou perder o marido, que além de pai é técnico. Isso significa que vou ter que ir mesmo. E tem o Felipe, que não surfa mas está fazendo faculdade de Educação Física. Quando der a gente também arrasta ele.

 

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Preparador físico de Sophia aponta futuro promissor

Allan Menache elogia determinação da garota de 12 anos e vê muito talento nela

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2017 | 17h02

Preparador físico de Gabriel Medina e do Instituto do atleta em Maresias, Allan Menache garante que Sophia pode ter um grande futuro no surfe. “Ela tem um potencial imenso de crescimento. Por se espelhar no sucesso do irmão, pelo talento que possui e até por conviver com outras crianças da idade dela que têm o mesmo nível de responsabilidade e comprometimento com o esporte, acredito que terá um futuro brilhante”, diz.

Durante o período que a reportagem do Estado estava na sede do Instituto em Maresias, Sophia fez diversas atividades, incluindo um período de exercício em apneia na piscina para aprimorar a capacidade de ficar submersa. “Já consigo ficar mais de dois minutos embaixo da água”, conta Sophia.

Para Allan Menache, a dedicação nas atividades pode fazer com que ela chegue bem longe na modalidade. “A gente percebe que nos treinos ela sempre é uma das mais motivadas a fazer aquilo que a gente sugere nos exercícios. Ela se cobra bastante para ter boa performance num simples agachamento ou dentro da água. A gente percebe que ela está muito focada e muito comprometida em ser realmente uma atleta de ponta do surfe mundial”, conclui.

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