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Reginaldo Leme
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Sotaque espanhol

Vir para o Bahrein é sempre uma viagem diferente. A começar pela conexão no imenso aeroporto de Dubai, que funciona 24 horas por dia e o horário de pico acontece durante a madrugada. Centro de conexões do mundo oriental, ele recebe passageiros que vêm do Ocidente quase sempre das 10 da noite em diante e, a partir daí, o movimento vai crescendo de tal forma que às 4 da manhã o número de pessoas circulando é semelhante ao que se vê nos aeroportos de Atlanta, Pequim, Chicago e Londres (Heathrow), os quatro com mais pousos e decolagens do mundo. Aliás, considerando-se apenas voos internacionais, Londres é o primeiro, seguido de Paris e Hong Kong. E Dubai já aparece em quarto, empatado com Frankfurt.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h02

De Dubai a Manama, capital do Barein, são 45 minutos de voo. Por ter se tornado um grande centro financeiro do Oriente Médio, Manama conta com construções espetaculares, de arquitetura arrojada, e tudo isso em contraste com a paisagem árida da cidade. Chuva é coisa rara, a não ser no inverno. Mas um chuvisco rápido, só nesta semana já caiu na quinta-feira e ontem.

A pista de Sakhir é muito bem desenhada, com quatro trechos de velocidade acima dos 300 km/h e oito freadas muito fortes. Aqui a Ferrari ganhou quatro vezes em oito, duas delas com Felipe Massa. Mas Alonso é quem venceu mais vezes - três, sendo duas com Renault e uma com Ferrari. Uma corrida sob calor de 35 graus, mas sem a umidade da Malásia, é diferente de tudo o que ocorreu até agora no campeonato, que teve três vencedores com três carros diferentes. Com a McLaren em baixa e a Mercedes, embora veloz em treino, ainda dando pinta de que, em condição de corrida, vai demorar um pouco para liderar, dificilmente 2013 repetirá o recorde do campeonato passado, quando até a sétima corrida tínhamos sete vencedores diferentes.

O ano começou com a Lotus vencendo na Austrália, onde a Red Bull não apareceu na corrida como a pole de Vettel indicava. Já na Malásia a equipe austríaca mostrou sua cara de tricampeã mundial com uma dobradinha, e aí foi a vez de Alonso se perder logo na primeira curva.

Na China, a Mercedes passou o fim de semana todo na frente, mas decepcionou na corrida, dando chance para a Ferrari conquistar sua primeira vitória no ano, e com uma vantagem que deixou os rivais assustados. No fim da corrida, quando o engenheiro Andrea Stella pediu para Alonso poupar o carro, recebeu a resposta: "Mas eu não estou forçando". De fato, o espanhol deu a impressão de que passeou pela pista chinesa.

O começo de ano deixa claro que o talento vale muito na F-1.

Raikkonen, vice-líder do Mundial, levando um carro com o bico torto ao segundo lugar e Alonso passando a ser o quarto maior vencedor da história, empatado com Nigel Mansell (31 vitórias) e atrás apenas de Senna (41), Prost (51) e Schumacher (91). Para alfinetar o rival espanhol, Vettel levantou a ideia de que a Ferrari já tem o melhor carro do momento. Não dá para se ter certeza disso. Mas, como disse Hamilton aqui no Bahrein, a Ferrari pode não ter ainda o melhor carro, mas tem o melhor piloto. Por essas e outras, eu tenho sentido desde o começo que este campeonato já tem um leve sotaque espanhol.

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