Ndres Stapff/Reuters
Ndres Stapff/Reuters

Sotaques distantes colocam País no topo do pódio

Técnicos do exterior ajudam remo e atletismo a ganhar títulos inéditos e o basquete a retornar aos Jogos Olímpicos

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

Nos últimos 20 dias, o torcedor brasileiro tem vários motivos para comemorar. Foram dois títulos mundiais inéditos - com Fabiana Murer, do atletismo, e Fabiana Beltrame, do remo -, além da sonhada classificação do basquete masculino à Olimpíada de Londres, após 16 anos de ausência dos Jogos. Conquistas que, além da importância histórica, têm outro fator em comum: a ajuda estrangeira para serem alcançadas.

Por trás dos atletas que subiram ao pódio, estão sotaques e origens bastante distintas. Um ucraniano, um francês e um argentino são personagens importantes - talvez, essenciais - nos feitos brasileiros. Seus nomes - Vitaly Petrov, José Oyarzabal e Rubén Magnano - também entraram para a galeria de vencedores sob as cores verde-amarela.

A parceria mais duradoura é a de Fabiana Murer e Petrov. Os dois foram apresentados em 2001, quando o técnico da atleta, Elson Miranda, entrou em contato com o ucraniano em busca de conhecimento. "Tive sorte de, naquela época, o Vitaly não estar treinando nenhum saltador de destaque", lembra Elson. "Só por isso ele teve o tempo e o interesse de nos ajudar."

Agora dona da medalha de ouro conquistada no dia 30 de agosto em Daegu (Coreia do Sul), Fabiana lembra do início do trabalho com o técnico, há dez anos. "O Vitaly foi fundamental para que a gente conseguisse alcançar os resultados de hoje. Ele nos ensinou como fazer salto com vara, desde os movimentos, tudo."

O técnico também abriu outras portas. Intercedeu para que Fabiana, com resultados ascendentes, fosse aceita em meetings de grande relevância, como o que é realizado todos os anos no principado de Mônaco. Também auxiliou a atleta e seu técnico na aquisição de varas, um problema para os brasileiros que teimaram em se dedicar a uma prova tão exótica. Hoje, vem pelo menos uma vez ao ano ao País, graças ao investimento do clube BM&F Bovespa e da Confederação Brasileira de Atletismo.

"Quando estive no meu primeiro Mundial (Helsinque/2005), eu saltava cada altura com uma vara fabricada por uma empresa diferente. Os outros atletas ficavam assustados e me perguntavam como eu conseguia. Mas era o que eu tinha", recorda Fabiana. "Depois, ele nos apresentou a Spirit (fabricante americana de varas), de quem começamos a comprar. Hoje, eles são até nossos amigos."

No pódio. Três dias depois do ouro no atletismo, outra Fabiana conseguiu um resultado histórico para o Brasil. Fabiana Beltrame fez o Hino Nacional Brasileiro tocar, pela primeira vez, em um Mundial de Remo. O feito ocorreu em 2 de setembro na cidade de Bled, na Eslovênia, onde a atleta venceu a prova do single skiff peso leve.

Para chegar ao título, Fabiana teve o auxílio do francês José Oyarzabal, que veio para o Brasil em 2009, contratado pela Confederação Brasileira de Remo - hoje, ele não atua mais na equipe nacional. O treinador, que também foi atleta, trabalhou com a revelação de talentos e comandou seleções de base em seu país. "Devo muito ao José Oyarzabal. Depois de trabalhar com ele melhorei muito tecnicamente. Ele foi capaz não só de ver meus defeitos, mas me mostrar como melhorar", explicou a atleta após a conquista do título.

Também com breve estada no Brasil (pouco mais de um ano e meio), o argentino Rubén Magnano conseguiu ajudar o País a realizar um sonho: classificar a seleção masculina de basquete novamente para uma Olimpíada.

Foram 15 anos de frustrações até que, há uma semana, o time nacional conseguisse confirmar a vaga nos Jogos de Londres, em 2012, depois de uma vitória emocionante sobre a República Dominicana (83 a 76), na semifinal do Pré-Olímpico de Mar de Plata.

Contratado no início de 2010 pela Confederação Brasileira de Basquete, Magnano tem conquistas respeitáveis em seu currículo. Com a Argentina, conquistou a prata no Mundial de Indianápolis em 2002 e o ouro olímpico em Atenas/2004. No Brasil, chegou não só para levar a seleção à Olimpíada, mas também supervisionar as categorias de base.

Em quadra, o técnico fez do Brasil uma equipe solidária, com um basquete jogado coletivamente. "O Magnano foi fundamental para a conquista da vaga olímpica", disse o ala Marcelinho Machado, que passou por cinco Pré-Olímpicos. "Sem ele, nós não conseguiríamos. Além da capacidade de entender o jogo do banco, ele nos motivou muito."

RECONHECIMENTO

Fabiana Beltrame

CAMPEÃ MUNDIAL DE REMO

"Devo muito ao Oyarzabal. Ele foi capaz não só de ver meus defeitos, mas me mostrar como melhorar"

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